sábado, 6 de dezembro de 2014

Evangelho Dominical: João Batista batizava e pregava a conversão

Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: “Eis que envio à tua frente o meu mensageiro, e ele preparará teu caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele”. Assim veio João, batizando no deserto e pregando um batismo de conversão, para o perdão dos pecados. A Judeia inteira e todos os habitantes de Jerusalém saíam ao seu encontro, e eram batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. João se vestia de pelos de camelo, usava um cinto de couro à cintura e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Ele proclamava: “Depois de mim vem aquele que é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de, abaixando-me, desatar a correia de suas sandálias. Eu vos batizei com água. Ele vos batizará com o Espírito Santo”. Mc 1,1-8

É por amor ao ser humano que o Senhor assumiu a nossa humanidade

O trecho do livro do profeta Isaías relata fatos do século VI a.C., período do exílio na Babilônia. Papel dos profetas do exílio era manter viva a esperança do povo de que Deus haveria de cumprir a promessa de fazê-lo retornar à terra que, na concepção deles, Deus havia dado aos ancestrais de Israel, pois Deus não tinha abandonado os que Ele havia escolhido. Por isso, é preciso não deixar ao inimigo espaço para se esconder e ameaçar a esperança e a fé do povo. Há, ainda, outra ideia, subjacente às imagens da preparação do caminho para o Senhor: quando um rei dominava um país, ele fazia com que o povo do país dominado construísse uma grande avenida para que pudesse passar triunfante. É preciso preparar uma grande avenida, isto é, eliminar todos os obstáculos, para que o Senhor, Deus de Israel, possa passar triunfante e reconduzir o seu povo à sua terra.

Quando a Igreja relê o texto de Isaías, ela reconhece, aí, a missão de João Batista, precursor do Messias. É ele quem, a partir do deserto, exorta com vigor o povo a preparar o caminho para o Senhor. Preparação que se dá por uma vida eticamente coerente com a fé professada (cf. Mt 3,8; Lc 3,8.10-14). A missão de João Batista equivalia à missão do profeta Elias, a saber, conduzir o povo a uma verdadeira conversão. Daí o Batismo de conversão que João realiza. Somente eliminando os obstáculos que o mal gera no coração do ser humano é que se pode reconhecer Aquele que virá depois de João e de quem ele diz não ser digno de desamarrar as sandálias. A vida de cada fiel deve ser como uma avenida por onde o Senhor passa para entrar em posse daquilo que é seu. O ser humano é que pertence a Deus. É por amor ao ser humano que o Senhor assumiu a nossa humanidade, a fim de conduzi-lo a viver na terra a realidade do céu. A água do Jordão não podia fazer viver. O Espírito Santo do qual Jesus é revestido é quem vivifica. O anúncio de João Batista de que Aquele que virá depois dele batizará com o Espírito Santo significa que a obra de Jesus tem um caráter de purificação e um único fim, a saber, a comunhão com Deus.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Natal, o presépio sou eu!

Podemos pensar que os calendários e as festas apenas se repetem ano após ano. Tal fato pode ser considerado uma verdade para aqueles que apenas vivem o momento sem que se apercebam da proposta apresentada em cada data especial.

Dezembro, sobretudo, é um mês em que todas as ações estão voltadas às festividades natalinas. O comércio se mobiliza desdobrando-se em turnos de trabalho e as cidades ficam mais iluminadas.


Muitas pessoas gastam tempo e dinheiro preparando suas residências e as decorando com magníficos presépios de acordo com a caracterização típica da época natalina. Durante todo o mês, os cumprimentos e votos de felicitações para um Feliz Natal são muito ouvidos. Em todos os lugares, cristãos de todo o mundo estarão reunidos para celebrar a noite mais santa de todas.

Não é raro nós vermos pessoas reclamando ou tristes, exatamente na noite em que a humanidade rejubila pela graça que Deus dispensou à humanidade, isto é, o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós! É obvio que não conseguimos passar uma borracha sobre os maus acontecimentos vividos e mesmo sendo um tempo festivo, estaremos nos aproximando do Natal com as nossas dificuldades vividas ao longo do ano ou talvez com o coração inquieto com diversas preocupações, decepções e até mesmo tristezas.

Por vezes, achando estar fazendo a coisa certa, pedimos a Deus licença para pecar ou tiramos férias de suas orientações. Acreditando ter maturidade suficiente, assumimos as rédeas de nossa vida – deixando Deus participar apenas como um carona. Pouco a pouco, conduzimos ao cativeiro nossa alma e, conseqüentemente, nos vemos perdidos, desolados, com poucos amigos, dessa forma, vivemos como exilados na própria terra.

Sem cessar, buscamos respostas para muitas perguntas que inquietam nossa alma. Entretanto, esquecemos que o nascimento do Filho de Deus veio propor a cada um de nós o novo caminho.

“Para os que habitavam na terra da escuridão uma luz começou a brilhar”(Isaías 9, 1). Foi para a libertação das amarras de nossas tristezas, amarguras e de muitas outras noites de insônia que veio a Salvação.

Por muitas vezes, preparamos o presépio e decoramos a fachada de nossa casa iluminando-a com centenas de lâmpadas, mas não deixamos a chama da Vida crepitar em nosso coração. Em nós está a manjedoura na qual o Salvador deseja nascer e não naquela que foi montada como um belo enfeite.

A nós cabe nos encher com a força da fé, que nos impulsiona a sair da “gruta” do nosso orgulho, azedumes e melindres e retomar o caminho que neste período nos é apresentado.

Dado Moura - Canção Nova Formação / Foto: Bruno Araújo - Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/