domingo, 8 de março de 2020

O dom de ser mulher

A alegria de ser mulher está entremeada de desafios que nosso tempo impõe ou que nós mesmas colocamos como alterações em nossa forma de ser. Faz parte da realidade feminina, nos dias atuais, várias jornadas de trabalho: a empresa, a casa, o marido, o cuidado com os filhos, como levá-los à escola e, muitas vezes, criá-los sozinhas. Há tantas outras situações vivenciadas pela mulher! Porém, muitas delas se sentem perdidas, não encontram sentido na vida e acabam endurecidas e até mesmo entristecidas.


Mesmo assim, acredito que o grande desafio da mulher é ser mulher. Como assim? Já percebeu o quanto a mulher perdeu sua origem? Na competição por direitos iguais, nós as vemos colocando-se como rivais dos homens, como aquelas que disputam, da mesma forma, os espaços antes ocupados por eles. É claro que precisamos trabalhar e ter nossas conquistas, mas já viram quantas se queixam da solidão, da falta de um companheiro, do abandono?

Por que insistimos na diferença entre os sexos?

Por que a mulher insiste em ser aquilo que sua própria constituição física não permite? A nossa constituição humana não nos faz ser assim. Homem e mulher não são iguais, a começar pelos cromossomos, não é mesmo?

Na tal “guerra dos sexos” tanto homem quanto mulher são perdedores por deixarem de viver a beleza do dom de cada um. A mulher por ser feminina, doce, sensível, acolhedora, mãe, enfim, batalhadora, persistente. Tudo isso é muito natural na realidade feminina, mas o grande desafio é não deixar de lado as habilidades que foram confiadas a cada uma de nós em nossa constituição.

São João Paulo II tece, em uma de suas cartas, um belíssimo comentário sobre nós, dizendo que “rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres perfeitas e pelas mulheres fracas”.

Com toda a beleza que foi dada especialmente a nós, vale uma grande reflexão ligada à importância da valorização da essência feminina. Ao deixar essa essência de lado, muitas vezes nos fechamos ao amor, àquilo que é natural a cada uma de nós.

Deixamos de nos valorizar e, muitas vezes, queremos ser valorizadas pelos homens. É tempo de rever nossa postura no mundo, de voltar ao essencial; não vamos voltar ao século passado, mas é importante que possamos atualizar o ser mulher em nosso tempo, não nos esquecendo da riqueza desse dom único e especial: ser mulher! É tempo de retomada, de viver valores esquecidos, dons adormecidos e sinais do feminino. É tempo de reavivar a natureza tão bela da mulher, do equilíbrio, da doçura e da força, de todo este universo de características que nos fazem mulher, mas que, muitas vezes, foram deixadas de lado.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Como discernir qual penitência fazer?

Penitência tem que ser algo que tenha um sentindo para você

Primeiro, a penitência quer nos fazer lembrar de algo, de uma mortificação da nossa carne, de uma mortificação dos nossos sentidos para nos lembrarmos do centro da nossa vida, que é Deus. Então, a penitência tem que ser algo que lhe custe. Por exemplo, não dá para fazer penitência de carne se eu prefiro frango; não dá para fazer penitência de uma coisa que eu não tenha como comer todos os dias. Todos os dias você come caviar? Não tem como você fazer penitência de caviar, sendo que você não come isso todos os dias, então, tem que ser algo que verdadeiramente você vá sentir falta. Por exemplo: “Ah, eu gosto muito de café!” Opá! Se eu gosto muito dessa bebida, isso vai me fazer falta. Então a penitência tem que ser algo que recorde você o ”para que” você a está fazendo.


Se não resistirmos até o fim da penitência, vale a pena recomeçá-la?

A  Quaresma é um período que se estende por mais de quarenta dias; se formos colocar na ponta do lápis, dá mais de quarenta dias. Quedas, temos que lutar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, para não cair, mas se cairmos, devemos começar de novo e levantar, retomar, começar do zero! O que Deus vai ver é o seu desejo de cumprir aquilo e não verdadeiramente se somente você consegue ou não!

Claro, vai ser uma vitória até para você mesmo quando você chegar no fim dos quarenta dias com a graça de Deus você poder ter resistido. Vamos dizer que você faça penitência de refrigerante, por exemplo. Porque a penitência é diferente do jejum, vou deixar muito claro: a penitência é algo do qual você se abstém; o jejum é uma das refeições das quais você se abstém. Então, eu vou ficar sem tomar refrigerante – aí no domingo de Páscoa, você com aquela alegria: ”Fiquei esse tempo todo, agora vou com essa alegria celebrar”. É claro que você não vai tomar o refrigerante que você não tomou há cinquenta dias.

Mas caiu, começa de novo, retoma, peça perdão a Deus e começa do zero, assim como Deus faz em todas as nossas realidades.

No domingo também é preciso fazer penitência? O que a nossa Igreja diz sobre comer ou não comer carne nas quartas e sextas-feiras da Quaresma? É obrigatório?

Vale a pena explicar o que é jejum e o que é penitência. A Igreja, por tradição, tem os dias de guarda e por tradição as sextas-feiras são dias penitenciais, então, o dia de jejum. O que é jejum? Existe uma diferença clara entre jejum e penitência; existe o jejum da Igreja que é o mais simples. Existe um livrinho do padre Jonas, chamado: ”Práticas de jejum”. O jejum é justamente se abster de uma ou de todas as refeições, em vista de algo. Na sexta-feira como é a tradição da Igreja, é normalmente um dia de se abster de carne, quanto mais a sexta-feira da Quaresma, como a Quarta-feira de Cinzas, também é um dia que nos abstemos de carne, não comemos carne, então o jejum é nessa realidade.

Conheça os tipos de jejuns recomendados:

A penitência, como já disse, é algo que você retira, que pode ser algo de alimento ou pode ser algo de atitude. Diácono, domingo é dia de jejum e de penitência, ou, não é? Domingo não é dia de jejum, mas a sua penitência você não precisa parar de fazer no domingo. Suponhamos que eu faça uma penitência quaresmal de não tomar refrigerante, imagina como seria fácil, se eu faço de segunda a sábado e no domingo eu encha a cara de refrigerante.

Como é uma penitência você pode levá-la até o fim da Quaresma. Agora jejum nós fazemos em que dia? A Igreja nos pede que o pratiquemos todas às sextas-feiras da Quaresma e, na Quaresma de uma forma geral, você o vai adaptando conforme a sua realidade e a sua saúde, como é que isso pode ser feito. Agora, domingo não é dia de fazer jejum, eu não posso domingo, por exemplo: “Ah! eu não vou almoçar porque meu coração está penitenciado”. Lembremos: Nós fazemos memória, nós celebramos o tempo que Jesus passou no deserto, nós vamos celebrar a paixão, morte e ressurreição d’Ele, mas sem nos esquecermos de que Jesus Cristo está vivo. Então, domingo é dia de celebrar a ressurreição de Jesus, seja na Quaresma ou em qualquer realidade, por isso, domingo não é dia de jejum. Mas, não ”seja sem vergonha”, você não precisa ficar suspendendo a sua penitência nos domingos não! Você pode vivê-las, tanto no tempo da Quaresma como em qualquer tempo litúrgico.