quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Combatendo o Câncer de Mama

Câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células. Quando maligno, tem a capacidade de invadir outros órgãos e tecidos e de se espalhar para órgãos distantes (metástases). As causas são várias. Existem as causas relacionadas ao meio ambiente e hábitos do indivíduo (Ex: raios solares, no caso de câncer de pele, e cigarro, no caso de câncer de pulmão) e existem também causas influenciadas pela genética, tais como o câncer de mama e do intestino.


A formação do câncer, em geral, se dá muito lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível ou palpável. No entanto, é comum observarmos casos que se apresentam a nós pela primeira vez com início rápido de sinais e sintomas, fazendo parecer, às vezes, que o paciente ficou doente de uma hora para outra; porém, na maioria dos casos, o tumor já existe há meses ou até anos. Estima-se que o tumor dobra de tamanho a cada cem dias. Como o câncer se inicia de uma única célula anormal, com esta velocidade de crescimento ele não se torna palpável durante anos.

O câncer de mama é predominantemente uma doença feminina, mas pode também ocorrer em homens (1% dos casos). O câncer de mama feminino tem alta freqüência e é temido pelos seus efeitos psicológicos, estéticos, funcionais e sexuais. No Brasil, é o câncer que mais causa morte entre as mulheres e ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudoeste. No Norte e Centro-Oeste, esta incidência é sobrepujada pelo câncer do colo do útero.

Ainda não existem maneiras de prevenir o câncer de mama. Mas o que faz muita diferença na sobrevivência é a detecção precoce, através do auto-exame, exame clínico e mamografia. Quanto mais precoce é o diagnóstico, maior é a possibilidade de cura, que pode chegar a mais de 95% dos casos. A melhor forma de detectar precocemente o câncer de mama é através de palpação por um médico experiente e pela mamografia.

A mamografia é capaz de mostrar lesões em fases muito iniciais (milímetros). Para mulheres acima de 40 anos de idade, a mamografia deve ser feita a cada um ou dois anos e, para aquelas acima de 50 anos, recomenda-se a mamografia pelo menos a cada ano. Se a mulher pertencer a grupos de alto risco inicia-se a pesquisa com mamografias já aos 35 anos de idade.

O auto-exame das mamas, embora seja muito importante, não é recomendado de forma isolada, sem o acompanhamento do exame clínico e da mamografia.

Um dos fatores que dificultam o tratamento é o estágio avançado em que a doença é descoberta. A maioria dos casos de câncer de mama, no Brasil, é diagnosticada em estágios avançados.

O sinal mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um nódulo, mas nem todos os nódulos são câncer. Isso significa que, ao detectar um nódulo durante o auto-exame, a mulher deve procurar imediatamente o médico especialista.

As mulheres acima de 20 anos devem examinar suas mamas pelo menos uma vez ao mês, 8 a 10 dias após a menstruação. Mulheres que estão na menopausa devem realizar o auto-exame das mamas em qualquer época do mês. Concluo então que, para diminuir a mortalidade por câncer de mama e obter cada vez mais sucesso no tratamento, evitando muitas vezes grandes cirurgias mutiladoras (mastectomia), a mulher deve ter:

1. Informações básicas referentes ao câncer de mama, tais como as descritas acima;
2. Iniciativa e disciplina, para se auto-examinar mensalmente;
3. Coragem para procurar um médico especialista tão logo descubra qualquer anormalidade durante o exame do seu próprio corpo;
4. Realizar mamografias conforme o prescrito.

Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

É verdade que Deus castiga?

Muitas vezes, diante de tragédias, mortes, catástrofes e acontecimentos desagradáveis, deparamo-nos com a declaração: “Foi a vontade do Senhor”. Entretanto, também é sabido que Ele é amor e incapaz de atos maus. Então, o que pensar? Deus castiga ou não?


Para esclarecermos essa questão, encontramos, no livro de Hebreus, uma característica de Deus-Pai: “O Senhor corrige quem Ele ama e castiga quem aceita como filho” (cf. Hb 12, 6). Então, poderíamos dar por encerrado o assunto e aceitar que Deus castiga e que a Bíblia confirma isso. Porém, na “Constituição Dogmática Dei Verbum, art. 12”, a Igreja nos exorta que “para aprender com exatidão o sentido dos textos sagrados deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, levadas em conta a tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé”.

Para entendermos o que nos diz a Carta aos Hebreus, precisamos observar o que Jesus nos disse a respeito do Pai. Em Jo 18,12, Jesus fala do pastor que deixa todas as ovelhas para buscar aquela única que se perdeu. Ainda em Jo 6,26-28, Cristo faz referência ao cuidado do Pai em relação aos pássaros e nos afirma: “Vocês são muito mais valiosos para o ‘seu Pai’ do que eles!”. Quando lemos essas passagens, pensamos em um pai carrasco que castiga?

No livro do Eclesiástico, podemos encontrar resposta para essa questão: “Não digas: ‘De Deus vem o meu pecado!’”, pois o Senhor não faz o que Ele próprio detesta. (…) Desde o princípio, o Senhor criou o ser humano, entregou-o às mãos do Seu arbítrio e o deixou em poder da sua concupiscência. (…) Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir” (cf. Eclo 15,11-21). Vale a pena dar uma lida nesse trecho todo.

Acontece que, muitas vezes, se torna mais fácil lançar a culpa em Deus, pois assim não assumimos a responsabilidade e as consequências de nossas próprias escolhas.

O Senhor nos dotou de consciência e inteligência para entendermos os resultados de nossos atos. Muitas vezes, não levamos em conta que nossas opções atingem também as pessoas que estão ao nosso redor, e tudo isso gera um resultado: “o que alguém tiver semeado é isso que vai colher” (Galatas 5, 7).

Deus não ‘castiga’ quem erra, mas por amor pode não interferir nas consequências de nossas escolhas, permitindo assim que colhamos a experiência do erro e aproveitemos disso para nosso crescimento.

E de modo nenhum isso faz de Deus um carrasco ou vingador. A intenção do Senhor é uma só: levar-nos a uma conversão verdadeira, e Ele sabe que, em algumas situações, a dor é o início de uma vida nova. Também o sofrimento, quando bem vivido, torna-se fonte de purificação dos nossos pecados e dos pecados do mundo.

Algumas pessoas têm medo de Deus, e por isso buscam não errar, o que não os permite agir como filhos, mas sim escravos. Outros pensam na recompensa que o Senhor lhe dará por não errarem e medem suas ações como mercenários interesseiros. Porém, toda a Bíblia tem como intenção nos levar a assumir o lugar de filhos, somente desse modo poderemos viver realmente e entender que “Deus nos trata como filhos. E qual é o filho que não é corrigido pelo Pai?”.

Quando temos em nosso coração a certeza de que somos filhos amados de Deus, e que Ele quer nos salvar, começamos a olhar o que vivemos não mais como castigo, mas como oportunidades que o Pai usa para nos corrigir e nos aproximar d’Ele.

“Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Conf. Rm 8,28). Essa é a certeza que precisa habitar sempre em nós. Não só as coisas boas, mas também as ruins concorrem para o nosso bem.

Peçamos a Deus a graça de assumirmos o lugar de filhos amados, e então, não mais como escravos, veremos o agir do Pai em nossa vida como providência para nossa conversão pessoal.

Paulo Pereira - Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/