quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Cada cristão é um missionário

Quantos planos bonitos e projetos brilhantes hão fracassado ao longo da historia por falta de homens e de ombros! Para a evangelização e transformação do mundo, Deus necessita dos homens. Necessita instrumentos convencidos, comprometidos e dispostos a dar tudo. Muitos textos bíblicos nos falam daqueles que Deus escolheu.


O povo judeu é para Deus “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. É o povo eleito e preferido por Deus entre todos os povos da terra, para levar adiante seus planos. Dons são tarefas. Jesus chama aos seus apóstolos e lhes entrega sua primeira missão. Devem anunciar a grande notícia da proximidade do reino; e isso não só por meio de palavra, se não também com sinais e ações concretas. Porque quando Deus elege é para dar uma missão.

Dons são tarefas. Por isso, o Senhor envia aos apóstolos e lhes confia uma tarefa. E como os doze, toda a Igreja é uma Igreja apostólica e missionária. A Igreja não vive para si mesma, se não para ser luz do mundo, para servir a humanidade inteira, para salvar a todos os povos. Também todos nós somos enviados. Cada cristão é um missionário. Esse tesouro imenso que recebemos – a luz de Cristo e de seu Evangelho – é para comunicá-lo a todos os homens. Como o Senhor nos indica cada cristão deve converter-se em “sal da terra”, em “luz do mundo” e em “fermento da massa”.

Não nos encerremos. Com efeito, Deus não criou a Igreja para ser uma espécie de “clube seleto” de almas privilegiadas, as que se permite acesso a certos dons reservados. NÃO. Desde um princípio, Deus há amado a todos os homens e há querido que todos cheguem a seu coração de pai. E por isso criou a Igreja ao serviço de toda a humanidade, como instrumento e mensageira da Boa Nova de seu amor.

Os cristãos somos sem dúvida os prediletos de Deus, porque havemos podido conhecer primeiro seu Evangelho. Mas nosso privilégio é o de servir: de levar a todos os homens aqueles dons que para todos estão destinados: para que o Evangelho converta-se em luz do mundo; e para que penetre não só os corações humanos, se não também a vida da sociedade e sua cultura. O Evangelho deve assim fermentar o mundo inteiro para Cristo.

Deve vencer e sanear com sua luz tudo o que haja de trevas e pecado nele. Deve construir pouco a pouco essa grande comunhão de amor que Deus deseja com todo o gênero humano: para que todos os homens cheguem a ser filhos seus e irmãos em Cristo. 
Recebemos uma luz em nosso batismo. Por isso, a Igreja não é uma ilha, uma família encerrada em si mesma, para gozar do amor que une seus membros.

A ela pertencemos para levar sua luz a todos os homens, para iluminar o caminho de todos rumo a Cristo. Os cristãos não podem permanecer enclausurados em suas comunidades ou movimentos. Estes devem ser não só seu lar e laboratório de formação, se não também seu lugar de envio. O lugar desde o qual partimos rumo aos homens, para iluminar com a luz do evangelho os problemas, as alegrias e as esperanças de suas famílias, de seus bairros, de suas escolas, fábricas ou escritórios.

“Ninguém acende uma luz – diz o Evangelho – para escondê-la debaixo de um recipiente, se não para colocá-la sobre um castiçal para que ilumine toda a casa”. No dia de nosso Batismo, todos nós recebemos uma luz – símbolo da missão da Igreja – que a partir desse momento se convertia em missão pessoal de cada um.

domingo, 2 de outubro de 2016

Evangelho do 27º Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”. O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’. Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’. Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado?. Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”. (Lc 17,5-10)


Homilia

Aqui está um pedido de súplica, um desejo ardente do nosso coração: precisamos crescer na fé, precisamos de uma fé robusta, verdadeira e convicta. Precisamos crescer na fé!

Aumentar a fé não é simplesmente ter uma fé volumosa. É, na verdade, ter uma fé intensa e verdadeira, onde olhamos para Deus e, apesar de todas as situações contrárias, não perdemos a nossa confiança.

O Senhor não está pedindo ou esperando que tenhamos uma fé grande. Se tivermos uma fé pequena, será fé, mesmo do tamanho de um grão de mostarda. Se nós dissermos a essa montanha: “Sai, montanha!”, ela sairá. Quantas montanhas estão à nossa frente? São montanhas de problemas, dificuldades e desafios, montanhas de coisas que vão se aglutinando, juntando-se em nossa vida, que parece que vamos desabar.

Quando as montanhas estão à nossa frente, não conseguimos enxergar o que está além dela. Quando as montanhas dos problemas e preocupações, estão à nossa frente, nem conseguimos enxergar que Deus é maior, que a graça d’Ele é maior, que o Seu amor é maior.

Há outras coisas que estão transpassando a nossa visão, estão transpassando à nossa frente, e não podemos ver aquilo que está mais adiante.

A fé precisa fazer as coisas acontecerem. A primeira coisa que a fé tem de fazer é derrubar montanhas; não que os problemas desapareçam, mas eles saem da nossa frente e vão para o lugar que tem de estar. O problema tem de estar de lado, debaixo, mas não pode estar à nossa frente. Quem tem de estar à nossa frente é o Senhor, Nosso Deus! O nosso olhar, a nossa visão, a nossa mente tem de estar voltados para o Senhor.

Vamos ter mais força interior, mais equilíbrio na mente, nos nossos pensamentos e sentimentos; seremos mais inteiros e verdadeiros naquilo que fazemos quando permitirmos que a fé conduza e guie nossos passos.

Por outro lado, estamos também aprendendo no Evangelho de hoje, que não podemos nos vangloriar de nada do que fazemos. Tudo que fazemos é para a maior glória de Deus e para que cresça nossa união, nossa intimidade e nossa relação com o Senhor.

Às vezes, servimos a Deus, rezamos e achamos que nós fizemos coisas demais: “Eu já rezei muito! Servi as coisas de Deus!”. Porém, não fizemos mais do que nossa obrigação. Deus continua sendo Deus com eu me voltando para Ele ou não. Mas continuo sendo uma pobre criatura se não me rendo ao amor d’Ele, se não me entrego ao seu amor e bondade.

No Reino de Deus, não há lugar para vaidades, para vanglória, não há lugar para pessoas que estão voltadas para aqueles que querem cultuar a si mesmos por aquilo que fazem. O Reino de Deus é lugar dos humildes, daqueles que batalham com a fé, por menor que seja, para viver de fé e fazer com ela seja o motor que conduz a nossa vida.