domingo, 20 de julho de 2014

A parábola do trigo e do joio

Jesus apresentou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’ ‘Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’”. Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos”. E contou-lhes mais uma parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado”. Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas [...]. Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” Ele respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”. Mt 13,24-43

Por que da criação boa de Deus surgiu o mal?

O texto do evangelho é uma sequência de três parábolas, mais a explicação da parábola do joio e do trigo. Todo o texto está situado no capítulo treze de Mateus, que, muitos comentaristas, dizem ser o capítulo central do primeiro evangelho. Esse longo ensinamento em parábolas, às multidões e aos discípulos, visa fazer compreender a natureza do Reino dos Céus, a sua situação neste mundo, o seu desenvolvimento e as exigências que ele impõe aos que aderem a ele. O ensinamento de Jesus em parábolas divide o auditório. Na resposta à pergunta dos discípulos sobre o motivo do ensinamento em parábolas às multidões, Jesus faz uma distinção entre eles e as multidões (Mt 13,10-11). Não se trata de discriminação ou exclusão, mas de uma constatação: há os que aderem ao Reino (os discípulos) e os que o rejeitam. Para os discípulos o ensinamento de Jesus dá acesso ao mistério de Deus; para os outros, ele é um enigma. No entanto, essa distinção só existe porque Deus permite, isto é, Deus respeita profundamente a liberdade do ser humano. O Reino dos Céus cuja realidade Jesus revela só pode ser acolhido na liberdade. As três parábolas supramencionadas têm em comum que exigem um engajamento pessoal. A parábola do joio e do trigo é uma releitura dos três primeiros capítulos do livro do Gênesis. No campo de Deus, ele semeou a boa semente. O campo é o jardim de Deus onde ele colocou o ser humano, para que na comunhão com o seu Criador ele pudesse ser feliz (Gn 2,8-15). A boa semente que se desenvolve e dá fruto é o ser humano que Deus criou à sua imagem e semelhança e colocou em seu jardim. A pergunta do homem de ontem continua sendo a mesma da do homem de hoje: Por que da criação boa de Deus surgiu o mal? Se Deus semeou somente a boa semente do trigo em seu campo, de onde veio o joio? A resposta: o inimigo de Deus e do ser humano foi quem o fez. O trigo que germina no meio do joio parece vulnerável, como a existência humana ameaçada pelo mal. No entanto, aos olhos de Deus, nossa existência é portadora do projeto de Deus e dará fruto no tempo certo. O Reino de Deus sofre violência, neste mundo, e bem e mal estão mesclados no mesmo campo. No entanto, o dono do campo não renuncia à colheita, ele espera pacientemente.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

sábado, 19 de julho de 2014

Fragmento histórico: A Igreja de Sant’Ana saúda Bom Jardim

No ensejo das manifestações comemorativas pelos 143 Anos de Emancipação Política do Município de Bom Jardim, como homenagem, a Paróquia de Sant’Ana volta no tempo, precisamente a 19 de julho de 1971, e apresenta um artigo (exclusivo) redigido pelo Cônego Antônio Gonçalves de Sousa, Pároco da época, ao extinto jornal bonjardinense A Voz do Agreste, em alusão ao centenário da nossa querida Bom Jardim. Hoje, 43 anos depois, a Pastoral da Comunicação resgata este fragmento dos anais bonjardinenses e presenteia a todos os munícipes com uma enriquecedora leitura.


A Igreja de Sant’Ana saúda Bom Jardim

A Paróquia bicentenária de Sant’Ana de Bom Jardim, cuja criação canônica foi a 29 de dezembro de 1757, por ato da Mesa de Consciência e Ordens, com o desmembramento da de Limoeiro pelo então Regente da Diocese de Olinda, D. Frei Luiz de Santa Tereza, natural de Lisboa, se associa com toda a pujança de sua alma a estas justas homenagens, e se congratula com as autoridades municipais e com o povo desta querida terra, nas festas comemorativas do I Centenário da maioridade política da Terra dos Pau d'arcos. Ambos, Paróquia e Município, marcharam, sempre, de braços dados. O Padre José Inácio Teixeira, primeiro Vigário, deu o grito de liberdade, riscando o nome de Curado de Sant’Ana, para escrever o de Paróquia. Um século depois, a comunidade paroquial se levanta pacificamente e consegue pela Lei Provincial nº 922 de maio de 1870, a criação de Vila incorporada à Comarca de Limoeiro. E a 19 de julho de 1871, se desligava completa e definitivamente de Limoeiro. Se instalava como sede Comarca de 1ª Entrância, em 1873, sendo o seu primeiro Juiz o Dr. Agostinho de Carvalho Dias Lima. Somente a 10 de julho de 1893 teve o seu primeiro Prefeito constitucional, o Dr. Justino da Mota Silveira, grande e afamado médico bonjardinense, de saudosa memória.

Bom Jardim, na sua vida sócio-religiosa, passou por três etapas: Sítio Sant’Ana, Curado de Sant’Ana e depois Paróquia de Sant’Ana de Bom Jardim.

O nome Bom Jardim prende-se, segundo a lenda recolhida pela tradição local, ao fato de que o Padre do lugar, o Cura, diante da beleza que os Pau d'arcos circunvizinhos davam ao sítio, ter, um dia, encantado com o ambiente pela floração amarela, parecendo com árvores de ouro, chamado aquele lugar de Bom Jardim. E o nome pegou.

Bom Jardim, que sempre tem sabido conservar, com carinho e bravura, as tradições religiosas dos seus ancestrais, volta-se para o alto, neste dia glorioso do I Centenário de Emancipação Política do seu Município e pede à sua Padroeira, a Senhora Sant’Ana, como costuma-lhe chamar, com respeito, o povo desta terra, as suas bênçãos e a sua proteção.
Parabéns e felicidades, Bom Jardim!

Cônego Antônio Gonçalves de Sousa – Pároco

Artigo do Jornal A Voz do Agreste – 19 de julho de 1971 – Bom Jardim Centenário / Adaptação: Bruno Araújo / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant’Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nossa Senhora do Carmo

Ao olharmos para a história da Igreja encontramos uma linda página marcada pelos homens de Deus, mas também pela dor, fervor e amor à Virgem Mãe de Deus: é a história da Ordem dos Carmelitas, da qual testemunha o cardeal Piazza: “O Carmo existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”.


Carmelo (em hebraico, “carmo” significa vinha; e “elo” significa senhor; portanto, “Vinha do Senhor”): este nome nos aponta para a famosa montanha que fica na Palestina, donde o profeta Elias e o sucessor Elizeu fizeram história com Deus e com Nossa Senhora, que foi pré-figurada pelo primeiro numa pequena nuvem (cf. I Rs 18,20-45).

Estes profetas foram “participantes” da Obra Carmelita, que só vingou devido à intervenção de Maria, pois a parte dos monges do Carmelo que sobreviveram (século XII) da perseguição dos muçulmanos, chegaram fugidos na Europa e elegeram São Simão Stock como seu superior geral; este, por sua vez, estava no dia 16 de julho intercedendo com o Terço, quando Nossa Senhora apareceu com um escapulário na mão e disse-lhe: “Recebe, meu filho, este escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este escapulário será preservado do fogo eterno”.

Vários Papas promoveram o uso do escapulário e Pio XII chegou a escrever: “Devemos colocar em primeiro lugar a devoção do escapulário de Nossa Senhora do Carmo – e ainda – escapulário não é ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembrança’ para viver de maneira cristã, e assim, alcançar a graça duma boa morte”.

Neste dia de Nossa Senhora do Carmo, não há como não falar da história dos Carmelitas e do escapulário, pois onde estão os filhos aí está a amorosa Mãe.

Santo do Dia - Canção Nova / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Maria é mãe de Deus?

A presença da Virgem Mãe de Deus no meio do povo de Israel era tão discreta que passava quase despercebida aos olhos dos seus contemporâneos, mas brilhava bem clara diante do Eterno. Tanto que, já no Antigo Testamento, o Senhor associou a “Filha de Sião” ao Seu plano de salvação para toda a história da humanidade. Para compreender esse mistério, o Concílio Vaticano II nos ajuda ao apresentar em seu magistério a Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. De fato, se “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”, então é necessário aplicar esse mesmo princípio, de modo muito particular, àquela “Mulher” extraordinária que se tornou Mãe de Deus. Pois só no mistério de Cristo “se esclarece” plenamente o mistério, especialmente a sua maternidade divina.

Desde o princípio, o mistério da Encarnação permitiu à Igreja entender e esclarecer, cada vez mais, o mistério da Mãe do Verbo de Deus feito carne. Nesse aprofundamento teológico, teve importância decisiva o Concílio de Éfeso, que aconteceu em 431, durante o qual, com grande alegria para os cristãos, a verdade sobre a maternidade divina de Maria foi confirmada solenemente como dogma, verdade de fé da Igreja. Maria é Mãe de Deus (Theotókos), porque, por obra do Espírito Santo, concebeu no seu seio virginal e deu ao mundo Jesus Cristo, o Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Ele, ao nascer da Virgem Maria, “tornou-se verdadeiramente um de nós”, fez-se Homem. Desse modo, mediante o mistério de Jesus Cristo, resplandece plenamente no horizonte da fé da Igreja o mistério da Sua Mãe. Por sua vez, o dogma da maternidade divina de Maria foi para o Concílio de Éfeso, e continua sendo para a Igreja, como que um selo de autenticidade no dogma da Encarnação, na qual o Verbo assume realmente a natureza humana, sem a anular, na unidade da Sua Pessoa.

Os diálogos já realizados pela Igreja Católica com as Igrejas Orientais e com as Igrejas e Comunidades Eclesiais do Ocidente voltam-se, cada vez mais, para dois aspectos inseparáveis do mistério da salvação: “Se o mistério do Verbo Encarnado nos faz vislumbrar o mistério da maternidade divina e se a contemplação da Mãe de Deus, por sua vez, nos introduz numa compreensão mais profunda do mistério da Encarnação, o mesmo se deve dizer do mistério da Igreja e da função de Maria na obra da salvação”. Ao aprofundarmos o mistério da Igreja e o mistério de Maria e ao tentar esclarecer um por meio do outro, nós cristãos, desejosos de fazer – como nos recomenda a Sua Mãe – o que Jesus lhes disser, poderemos progredir juntos na peregrinação da fé, da qual Maria é sempre o exemplo e que deve conduzir-nos à unidade, querida pelo seu único Senhor e tão desejada por aqueles que estão prontos a ouvir atentamente o que o Espírito diz hoje às Igrejas.

É um bom sinal que essas Igrejas e Comunidades eclesiais estejam de acordo em pontos fundamentais da fé cristã, inclusive no que diz respeito à Virgem Maria. Essas Igrejas e Comunidades reconhecem a Virgem Maria como Mãe de Deus e essa doutrina faz parte da nossa fé em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Também voltam para Maria o olhar, aceitando ser ela que, aos pés da cruz, acolhe o discípulo amado como seu Filho que, por sua vez, a recebe como mãe. Dessa forma, por que não olhar todos juntos para a nossa Mãe comum, para aquela que intercede pela unidade da família de Deus e que vai à sua frente na longa peregrinação das testemunhas da fé no Filho de Deus, concebido em seu seio virginal por obra do Espírito Santo?

A Virgem Maria é invocada pelas Igrejas Orientais e pela Igreja Católica e é lembrada por todas as Comunidades Eclesiais em razão da sua presença nos símbolos de fé e na Sagrada Escritura. Os protestantes tem direito de não dirigir suas orações a Mãe do Senhor, pois toda oração e todo louvor devem ser dirigidos só a Deus, ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Entretanto, os católicos recorrem a Maria para pedir sua intercessão junto a Deus, não que ela seja necessária ou mais eficaz, mas para entrar com ela na grande intercessão que é a partilha incessante e solidária entre os crentes, que nem mesmo a morte poderia deter. Pois, a intercessão é a conversação eterna dos fiéis com Deus, no cuidado de uns para com os outros.

Assim, os católicos podem legitimamente se dirigir a Mãe de Deus, como fazem na oração mariana do Ângelus ou no Rosário (Terço), pedindo a ela que reze por eles. Não podemos pedir aos que dirigem suas orações a Maria para renunciar a isso, nem aos que apenas recordam a sua figura bíblica para que orem a ela. Todavia, os dois lados devem ser, em sua compreensão de fé, testemunhas das convicções de seus irmãos. Dessa forma, essas convicções religiosas não seriam mais causa de separação, mas de “reconhecimento das diferenças” no interior de uma unidade já presente, mais ainda não em plenitude.

Natalino Ueda - Canção Nova Formação / Foto: Bruno Araújo / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Tríduo festivo abre as comemorações do ano do centenário da Capela de Nossa Senhora do Carmo

A Comunidade do Alto do Carmo, dentro das comemorações do ano do centenário da Capela de Nossa Senhora do Carmo, iniciou no último sábado (12) o tríduo dedicado à Virgem do Carmelo. O cortejo conduzindo a bandeira partiu da residência da Srª. Maristela Carneiro, na Nova Descoberta, rumo à Capela de Nossa Senhora do Carmo, onde foi celebrada a Santa Missa, presidida pelo Pe. Elias Roque (Pároco).


Com o tema: “Maria, a maior intercessora do povo cristão”, escolhido pela comissão organizadora, os louvores dedicados à Nossa Senhora do Carmo incitarão uma catequese mais abrangente sobre o papel de Maria na manutenção do projeto evangelístico da Igreja.

Baseado na Parábola do Semeador (Mt 13,1-23), Pe. Elias Roque salientou que ‘a fundamentação da nossa fé, através das práticas religiosas, equivale a uma nova perspectiva cristã de evangelização por meio de ações concretas; sendo elas solos férteis para que a semente da santificação possa eclodir e, posteriormente, render bons frutos’.

“É necessário que sejamos semeadores da Boa Nova, tendo consciência da missão que Deus nos confiou. Maria, peça fundamental do projeto salvífico, ensina a sermos perseverantes na fé, mantendo-nos intrépidos no anúncio da Palavra, e perseverantes no difícil encargo de propagá-la. Jesus, através da Parábola do Semeador, nos transmite algo extremamente relevante: Sejam todos mensageiros da fé e da esperança! É preciso abdicar de si mesmo e despir-se das próprias verdades e vontades para que o nosso coração torne-se solo fecundo, onde o amor incondicional de Deus germine livremente”, completou o pároco.

Com um século de história, a Capela de Nossa Senhora do Carmo, patrimônio cultural e religioso de Bom Jardim, vem sendo revitalizada graças ao empenho da comissão responsável pela reforma e a generosidade do povo bonjardinense.

“No ano do centenário da Capela de Nossa Senhora do Carmo, a população bonjardinense terá um dos seus principais templos religiosos, totalmente revitalizado, entregue até o mês de novembro, onde realizaremos uma belíssima festa de reinauguração com a presença ilustre do nosso Bispo Diocesano, Dom Severino Batista”, destacou Breno Andson, membro da comissão.

A festa segue até o dia 16 de julho, dia dedicado à Nossa Senhora do Carmo, com recitação do Santo Terço e Celebração Eucarística a partir das 19h00.


Por Bruno Araújo / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant’Ana – http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

domingo, 13 de julho de 2014

A parábola do semeador

Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Uma grande multidão ajuntou-se em seu redor. Por isso, ele entrou num barco e sentou-se ali, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. Ele falou-lhes muitas coisas em parábolas, dizendo: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra. Logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol saiu, ficaram queimadas e, como não tinham raiz, secaram. Outras caíram no meio dos espinhos, que cresceram sufocando as sementes. Outras caíram em terra boa e produziram fruto: uma cem, outra sessenta, outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!” Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que lhes falas em parábolas?” Ele respondeu: “Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não. Pois a quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem. Por isto eu lhes falo em parábolas: porque olhando não enxergam e ouvindo não escutam, nem entendem. Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Por mais que escuteis, não entendereis, por mais que olheis, nada vereis. Pois o coração deste povo se endureceu, e eles ouviram com o ouvido indisposto. Fecharam os seus olhos, para não verem com os olhos, para não ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o coração, nem se converterem para que eu os pudesse curar’. Felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. 'Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração.Este é o que foi semeado à beira do caminho. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento:quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra,ele desiste logo.A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra,mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende.Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta.' Mt 13,1-23

Por que a Palavra de Deus produz frutos em uns e em outros não?

O capítulo cinquenta e cinco do livro do profeta Isaías é o último capítulo do Dêutero-Isaías (40–55), cujos fatos podem ser situados em meados do século VI a.C. O tema central do texto de hoje é a Palavra de Deus, através da qual Ele revela seu plano de salvação. A Palavra de Deus é comparada à chuva que numa terra árida é uma bênção do céu que fecunda e faz germinar a boa semente. A Palavra de Deus realiza o que diz.

O capítulo treze do evangelho segundo Mateus é um discurso em parábolas. Trata-se de uma sucessão de sete ou oito parábolas, dependendo de como se as considere. Costuma-se caracterizá-las como “parábolas do Reino”. O tema que perpassa todas as parábolas é o mistério da acolhida ou rejeição da palavra de Jesus sobre o Reino de Deus. A parábola não é nem tem a pretensão de ser uma descrição fiel da realidade; o mais importante é a mensagem que ela transmite. A parábola do semeador descreve uma atividade bastante comum em Israel, a saber, a semeadura ou plantio. Essa atividade, dada as condições climáticas, impõe superar muitas dificuldades. Cremos poder imaginar que a parábola visava responder à seguinte questão: por que a Palavra de Deus produz frutos em uns e em outros não? Deus faz distinção de pessoas? Se o semeador semeia é para poder fazer uma boa colheita capaz de sustentar a vida de toda a sua família. A prática do semeador narrada na parábola de lançar a semente sem se importar em que terreno é desconcertante e parece contrariar qualquer prática racional de plantio. No entanto, o mais importante é a intenção: Deus oferece a sua Palavra a todos, indistintamente. A partir daí se pode compreender que, em primeiro lugar, a parábola revela algo de Deus: Deus confia na terra, isto é, na humanidade. Não obstante tantas dificuldades, Deus sabe que a terra produzirá fruto. E se de tudo a terra não produzir fruto, não será pela falta de fé de Deus em nossa humanidade. Essa confiança de Deus em nossa humanidade deve estimular nosso empenho em remover do terreno de nossa vida tudo o que possa impedir a boa semente de produzir o seu fruto. Tenhamos presente, no entanto, que o crescimento da semente necessita de tempo, de cuidados, ele depende de um processo para produzir frutos.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Maria, nossa intercessora

Se buscais a Maria, encontrareis a Jesus. E aprendereis a entender um pouco o que há nesse coração de Deus que se comove, que renuncia a manifestar seu poder e sua majestade, para apresentar-se em forma de escravo. Humanamente falando, poderíamos dizer que Deus se excede, pois não se limita ao que seria essencial ou imprescindível para salvar-nos, sem que vá mais além. A única norma ou medida que nos permite compreender de algum modo essa maneira de Deus operar é dar-nos conta de que carece de medida: ver que nasce de uma loucura de amor, que o leva a ter nossa carne e a carregar o peso de nossos pecados.

Como é possível dar-nos conta disso, afirmar que Deus nos ama, e não envolver-nos também loucos de amor? É necessário deixar que essas verdades de nossa fé possam cessar na alma, até mudar toda nossa vida. Deus nos ama: o Onipotente, o Todo-poderoso, o que fez céus e terra.

Deus se interessa até pelas pequenas coisas de suas criaturas: das vossas e das minhas, e nos chama um a um pelo nosso próprio nome. Essa certeza que nos dá a fé permite que olhemos o que nos rodeia com uma nova luz, e que, permanecendo tudo igual, afirmemos que tudo é distinto, porque tudo é expressão do amor de Deus.

Nossa vida se converte assim em uma contínua oração, em um bom humor e em uma paz que nunca se acabam, em um ato de ação de graças que acontece através das horas. ‘Minha alma glorifica ao Senhor – cantou a Virgem Maria – e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador; porque olhou para sua pobre serva; portanto as gerações me chamarão bem-aventurada. Porque Aquele que é o todo-poderoso, cujo nome é Santo, fez em mim maravilhas.’

Nossa oração pode acompanhar e imitar essa oração de Maria. Como Ela, sentiremos o desejo de cantar, de proclamar as maravilhas de Deus, para que a humanidade inteira e todos os seres participem da nossa felicidade.

Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

domingo, 6 de julho de 2014

Louvor ao Pai

Naquela ocasião, Jesus pronunciou estas palavras: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mt 11,25-30

É Jesus quem revela o Pai

O profeta Zacarias viveu no século VI a.C., depois do retorno a Judá dos exilados na Babilônia. O livro que leva o nome do profeta Zacarias tem, ao todo, quatorze capítulos. No entanto, o livro não pertence a um mesmo autor. Duas ou mais mãos o escreveram. É geralmente aceito que os oito primeiros capítulos pertencem ao profeta e o restante a outro ou vários outros autores. Os dois versículos de nosso texto falam da volta vitoriosa e triunfante do rei à sua cidade, Jerusalém. Não se trata de um monarca da descendência davídica. O rei de que se fala nesses versículos é o próprio Deus que combate em favor do seu povo, destruindo todos os instrumentos de guerra e violência para selar a paz entre todas as nações.

Teria sido, em certo sentido, surpreendente para Jesus experimentar que aqueles que se diziam sábios, conhecedores e intérpretes da Palavra de Deus fossem os que lhe fizessem oposição, engajando-se em fazê-lo perecer. O contexto da perícope de hoje é a crítica de Jesus às cidades vizinhas ao Mar da Galileia que, beneficiadas pelo ensinamento e pelos atos de poder de Jesus, não se converteram, não se abriram ao sopro de sua palavra nem aderiram à sua pessoa. O hino de louvor de Jesus dirigido ao Pai é uma clara oposição a essas cidades que não se converteram. O que é escondido aos que se pretendem sábios e entendidos e o que é revelado aos “pobres de espírito”? O que está dito no v. 27 pode ser compreendido nesses termos: é Jesus quem revela o Pai. Somente quem se abre para reconhecer e aceitar Jesus como enviado do Pai é que pode conhecer a relação filial que une profundamente Jesus e Deus (cf. Jo 14,10-11; Cl 1,15). Jesus é não somente o Sábio, mas a “Sabedoria de Deus” que atrai todos a si e os instrui na Lei que o Senhor deu ao povo para preservar o dom da vida e da liberdade. O evangelho de hoje termina com um convite de Jesus àqueles que ainda estão fora do grupo dos seus discípulos. O “jugo” (ou fardo) era uma peça de madeira colocada sobre o pescoço do animal para equilibrar o peso que ele carregava. Na tradição bíblica, entre outros significados, ele se refere à Lei (Jr 2,20; 5,5). Jesus critica os escribas e fariseus por amarrarem pesados fardos sobre os ombros dos outros (Mt 23,4). Há um modo de interpretar a Lei e de pô-la em prática que tira a alegria e a vida, como se fosse um enorme peso a carregar. Ora, a Lei de Deus é para a vida e a liberdade, ela é um caminho para a vida e a felicidade (cf. Dt 30,16). Jesus, manso e humilde, se oferece para aliviar tal peso. A lei do Senhor é a lei do amor (Jo 15,12). No amor não há temor nem amargura.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/