quinta-feira, 16 de abril de 2015

Bento XVI festeja os 88 anos com orações e poucas visitas

Papa emérito vive em um mosteiro e não terá celebração pública em seu aniversário; secretário particular diz que a morte é um assunto cada vez mais presente


Nesta quinta-feira, 16, o Papa emérito Bento XVI completa 88 anos. Este domingo, 19, marcará os 10 anos de sua eleição como 265º Papa da Igreja Católica. O Papa Francisco ofereceu a Missa de hoje na Casa Santa Marta ao Papa emérito: “Quero recordar que hoje é o aniversário do Papa Bento XVI. Eu ofereci a missa por ele e também convido todos a rezar por ele, para que o Senhor lhe sustente e lhe dê muita alegria e felicidade”.

Como no ano passado, Bento XVI não participará de nenhuma celebração pública e passará estes dias em clima de recolhimento e oração, sem festejos especiais. Seu secretário particular, Dom Georg Gänswein, disse que Bento XVI está bem, para a sua idade e caminha todos os dias cerca de meia hora nos Jardins Vaticanos. “Em geral eu vou com ele, rezamos juntos o terço. Ele, que sempre teve passo rápido, agora, seguindo conselho médico, usa um andador em seus passeios, e em casa, uma bengala”, comentou o arcebispo, em recente entrevista.

Dom Georg disse ainda que o Papa emérito, durante o dia, reza, lê, estuda, responde a muitas cartas e frequentemente toca piano à tarde, mas não se dedica mais a escritos teológicos ou científicos; diz que com os três volumes sobre Jesus concluiu a sua obra. Quando completou 87 anos, o Papa Francisco o felicitou por telefone e o recordou na celebração da missa na Capela da Casa Santa Marta, convidando os fiéis a rezarem por ele.

Joseph Ratzinger celebrou seu último aniversário como Papa aos 85 anos. Em 16 de abril de 2012, iniciou o dia de seu aniversário celebrando uma missa na Capela Paulina do Palácio Apostólico Vaticano com a presença de seu irmão, um grupo de bispos da Baviera e uma delegação desta região alemã.

O “último período de sua vida”

Bento XVI disse que se encontrava diante do “último período de sua vida” e que não sabia o que o esperava”, mas afirmou que “a luz e a bondade de Deus são mais fortes do que qualquer escuridão e de qualquer mal deste mundo”.

Orações, música, poucas visitas, uma vida de ‘monge’: é o que quer ser Papa emérito, desde que renunciou à Sé de Pedro, em 11 de fevereiro de 2013. “No entanto, o pensamento da morte se faz cada vez mais presente”, revela ainda seu secretário, Dom Georg.

“Falamos sobre isso muitas vezes, mesmo sendo ele pessoa muito discreta e reservada. Sua vida é uma arte cristã, porque se preparar para a morte significa preparar-se ao encontro com Deus, um encontro decisivo”.

Joseph Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 em Marktl am Inn, município da Baviera, no sudeste da Alemanha. Estudou na Escola Superior de Filosofia em Freising e na Universidade de Munique. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1951.

Pouco se sabe de sua agenda diária, mas no último dia 11 de abril, o Papa emérito recebeu a visita de seminaristas das Dioceses de Munique e Freising.

Redação Canção Nova - com Rádio Vaticano / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cerimônia marca abertura da 53ª Assembleia da CNBB

“Quero uma Igreja missionária, solidária e que saiba ouvir!”, com esse refrão cantado pela Assembleia, os bispos do Brasil deram início, em Aparecida (SP), ao 53º encontro do episcopado do país. O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal dom Raymundo Damasceno pediu as bênçãos para os trabalhos que se realizarão de hoje, 15, até o dia 24 de abril.

Alguns objetivos dessa assembleia foram previamente anunciados pela CNBB: a revisão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil; a ação dos leigos na Igreja; e as eleições gerais para os serviços da presidência e das comissões episcopais. Além disso, serão eleitos os delegados da Conferência para o Sínodo dos Bispos e do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam). As eleições, novamente, serão feitas por meio de urnas eletrônicas.

O prefeito da cidade de Aparecida, Antônio Marcio de Siqueira, e o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista de Almeida, deram suas palavras de boas-vindas aos bispos. “Gostaríamos de convidar os senhores para fazer uso do teleférico para ir rezar no Morro do Cruzeiro”, acrescentou o reitor.

Evangelização dos leigos

Dom Giovanni d'Aniello, Núncio Apostólico no Brasil, agradeceu o convite e a hospitalidade dos bispos. “Obrigado a todos aqueles que, durante esses dias, tomarão conta de nós” e em seguida retransmitiu um abraço especial do papa Francisco. O Núncio ressaltou a memória dos 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II e ainda a realização do Sínodo Ordinário, deste ano, sobre a Família.

Dom Giovanni também chamou atenção para um dos temas dessa assembleia, a participação dos leigos na Igreja, e confirmou que o cristão leigo enfrenta o mundo dando razões da sua própria esperança. Dom d'Aniello enumerou os campos de apostolado dos leigos: “a educação, a assistência, social, o progresso cientifico e a política”. Ele lembrou ainda que a evangelização dos leigos constitui um grande desafio pastoral. “O cristão leigo exerce uma ação apostólica que lhe é peculiar” e não somente um trabalho complementar ao dos ministros ordenados, disse o representante diplomático do papa.

Dom Damasceno finalizou as intervenções da abertura da assembleia. Ele esclareceu que a assembleia dos bispos do ano passado decidiu que as Diretrizes Gerais para o próximo quadriênio não serão inteiramente novas, mas profundamente renovadas, principalmente à luz da Encíclica Evangelii Gaudium e das palavras do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, em julho de 2013.

Fonte: CNBB / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 14 de abril de 2015

Os estragos da TV brasileira

A televisão brasileira, infelizmente, tornou-se uma das piores do mundo no que se refere aos valores morais, à alienação do povo e sua deseducação

Em duas oportunidades – antes de surgir as TVs católicas –, o falecido Cardeal e ex-Primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, publicou, no Jornal do Brasil, dois famosos artigos sobre a televisão brasileira. Esses foram publicados também na Revista “Pergunte e Responderemos” (n. 375, 1993, pg. 357ss)”. No primeiro texto, cujo título é J’Accuse! (Eu acuso!), o prelado afirmava entre outras coisas:

“Eu acuso a TV brasileira pelos seus muitos delitos. Acuso-a de atentar contra o que há de mais sagrado, como seja, a vida. Acuso-a de disseminar, em programas variados, ideias, crenças, práticas e ritos ligados a cultos. Ela se torna, deste modo, veículo para a difusão da magia, inclusive magia negra, satanismo, rituais nocivos ao equilíbrio psíquico.

Acuso a TV brasileira de destilar em sua programação e instalar nos telespectadores, inclusive jovens e adolescentes, uma concepção totalmente aética da vida: triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil, do estelionato. Nesse sentido, merece uma análise à parte as telenovelas brasileiras sob o ponto de vista psicossocial, moral e religioso […]

Qual foi a novela que propôs ideais nobres de serviço ao próximo e de construção de uma comunidade melhor? Em lugar disso, as telenovelas oferecem à população empobrecida, como modelo e ideal, as aventuras de uma burguesia em decomposição, mas de algum modo atraente”.

Acuso, enfim, a TV brasileira de instigar à violência: A TV brasileira terá de procurar dentro de si as causas da violência que ela desencadeou e de que foi vítima […]”.

No segundo artigo (27/01/93), sob o título de “Resistir, quem há de?”, o cardeal pede uma mobilização da família cristã contra isso: “Opino que a família deve estar na linha de frente de resistência: os pais, os filhos, os parentes e os agregados – toda a constelação familiar. Ela é a primeira vítima, torpemente agredida dentro da própria casa; deve ser também a primeira a resistir. É ela quem dá IBOPE, deve ser também quem o negue, à custa de fazer greve ou jejum de TV. Cabe, pois, às famílias, ‘formar a consciência crítica’ de todos os seus membros frente à televisão; velar sobre as crianças e os adolescentes com relação a certos programas; mandar cartas de protesto aos donos de televisão; chamar à atenção os anunciantes, declarando a decisão de não comprar produtos que financiam programas imorais ou que servem de peças publicitárias ofensivas ao pudor, exigir programas sadios e sabotar os mórbidos para que não se diga que o público quer uma TV licenciosa, violenta e deseducativa”.

É preciso meditar profundamente nesta grave acusação de Dom Lucas Moreira Neves. Os pais e educadores, sobretudo os cristãos, não podem deixar as crianças e os jovens à mercê de uma televisão baixa, imoral, deseducativa, amedrontadora e desleal. A TV tem sido a grande promotora da destruição dos valores morais e da família.

O próprio Walter Clark, falecido em 1997, fundador e ex-diretor da TV Globo, também deu o seu testemunho contra essa situação, por intermédio do jornal Estado de Minas (07/01/93, pg 13), afirmando, entre outras coisas, que “A TV brasileira está vivendo um momento autofágico. Lamento ter contribuído, de alguma forma, para que ela chegasse aonde chegou. A emissora está nivelando por baixo: existem traições, incestos, impulsos sexuais incontidos, cobiça, ódio… Tudo isso existe, mas não é só isso. A  sociedade, que já está violenta, acaba tendo no seu registro mais forte de comunicação, que é a TV, só violência”.

Já faz quase vinte anos que esses alertas foram feitos, mas parece que pouco mudou. É verdade que, graças a Deus, surgiram as TVs católicas, que fazem uma “pregação sistemática de valores”, contrapondo-se a outras que fazem o contrário: “uma pregação sistemática de antivalores”.

A televisão brasileira, infelizmente, tornou-se uma das piores do mundo no que se refere aos valores morais, à alienação do povo e sua deseducação. O que temos visto nos famosos “reality shows”, nas novelas e outros programas de auditório? Algo deprimente. Jovens e artistas que expõem suas intimidades ao público em busca de fama e dinheiro fácil, dando aos milhões de jovens mau exemplo de vida. A única coisa nobre nesses programas é o horário; são, na verdade, um fomento à mais mesquinha fofoca em horário nobre. Explora-se, de modo sutil, com um marketing refinado, a miséria das pessoas, seus problemas sentimentais, afetivos, morais, espirituais, num desrespeito profundo à dignidade do ser humano. Ele ali é usado e enganado para dar IBOPE e lucro, nada mais.

Esses programas e outros, repito, em horários nobres, aos quais crianças e jovens assistem, levam-nos ao esquecimento de nós mesmos, à alienação, à futilidade e imoralidade. São cenas contínuas de incitamento sexual, masturbação, convite à fornicação e outras tristezas. Não há cultura, não há formação, não há boa informação; é apenas apelo aos vícios: exibicionismo, soberba, cultura do prazer, sexismo, pornografia, homossexualidade, competição baixa, infidelidade conjugal, preguiça, ociosidade, intrigas, strip-tease e disputas desumanas que levam as pessoas à exaustão física e mental. Tudo em busca de sucesso e dinheiro fácil. Tudo contra o que nos ensina Jesus Cristo. O importante é se tornar uma “celebridade nacional” com direito a outros sucessos. Mas com base em que conteúdo?

A consequência de tudo isso é que se vai aumentando o número de adolescentes grávidas, os abortos, estupros, infidelidades conjugais, homossexualidade, casais separados, jovens abandonados vivendo no crime, na droga e na bebida. Por outro lado, o povo é massificado.

Explora-se maldosamente o mórbido gosto natural pela fofoca e “bisbilhotagem” da vida alheia, fazendo da massa popular como que um rebanho que não pensa e não critica. É uma alienação e desserviço à população. Explora-se comercialmente, “inteligentemente”, a falta de cultura de povo oriundo de uma escola fraca; aumenta-se, como disse alguém, o seu “emburramento”.

Ora, a lei diz que televisão – cuja concessão é do Estado – tem a missão de educar, formar, informar, dar cultura e educação. É isso que temos visto? Não, não e não. Temos visto uma TV que destrói a família  e seus valores sagrados. Com um faturamento financeiro enorme, vende-se alienação numa enorme vitrine de propaganda patrocinada por ricas empresas. Uma campanha na internet contra tudo isso chegou a anunciar: “Quem patrocina a baixaria é contra a cidadania”, é contra o povo; então, como disse o Cardeal Dom Lucas, é preciso o boicote dos cidadãos, especialmente dos cristãos, a quem fomenta a imoralidade.

Lutar contra tudo isso não é moralismo, mas defesa dos valores morais e da família, coluna da sociedade. O povo brasileiro tem sido ofendido e chocado com as barbaridades apresentadas em novelas, com cenas chocantes, palavras chulas e obscenas, que não se pode escrever aqui. Tenta-se, de maneira sutil e maliciosa, passar isso ao povo como “se tudo fosse normal e lícito”, como se o sexo fosse apenas atos de genitalidade, apenas prazer sem uma visão moral e um compromisso com a vida e com o outro, como se fossemos irracionais.

O Congresso Teológico Pastoral de Valencia, na Espanha, no V Encontro do Papa com as famílias, disse que “a família vive uma crise sem precedentes na história”, cujas raízes se encontram na “pressão ideológica” exercida pela “mentalidade consumista” e pela ação de “um laicismo de raiz niilista e relativista”.

É preciso reagir contra esse estado de coisas. Não podemos ficar calados e inertes diante desta cultura niilista e sem Deus que quer tudo destruir.  Se não nos mobilizarmos contra isso, estaremos sendo coniventes com a destruição da família e da sociedade, diante de Deus e dos homens.

O que queremos para os nossos filhos e netos?

Professor Felipe Aquino - Canção Nova / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

domingo, 12 de abril de 2015

Divina Misericórdia

A Misericórdia Divina de Deus está sempre disponível, visto que o Seu plano e desejo é ter misericórdia de todos nós. Ele quer que ninguém escape ao Seu coração Misericordioso.

Devido ao nosso livre-arbítrio, podemos frustrar o seu plano, não aceitando o Seu amor. A misericórdia de Deus é como o sol. Ele está sempre sobre nós, mas podemos optar por fugir do seu calor e da sua luz escondendo-nos na fria escuridão das nossas próprias cavernas. Deus nos ama, não importa o que façamos, e está sempre pronto a perdoar. Então, nesse sentido, não podemos jamais escapar da realidade da Sua misericórdia.

Mas, infelizmente, podemos rejeitá-la. Podemos continuar até o fim rejeitando a grande misericórdia de Deus, recusando-nos a aceitar o amor e o perdão que Ele nos oferece, resistindo aos Seus constantes esforços de trazer-nos de volta a Ele.

Para aqueles que escolhem a justiça de Deus, em vez de a misericórdia que Ele deseja conceder, as palavras “sem escapatória” assumem um significado diferente. Eles escaparam da Sua misericórdia recusando-se a aceita-la, e para eles não haverá escapatória da Sua justiça, não haverá escapatória da sua auto-imposta prisão do pecado e das trevas.

Sou três vezes Santo e abomino o menor pecado. Não posso amar uma alma manchada pelo pecado, mas, quando se arrepende, não há limites para minha generosidade com ela.
A minha misericórdia a envolve e a justifica. Com a Minha misericórdia persigo os pecadores em todos os seus caminhos, e o Meu coração se alegra quando eles voltam a Mim. Esqueço as amarguras com que alimentaram o Meu coração e alegro-Me com a volta deles.

Diz aos pecadores que ninguém escapará ao meu braço. Se fogem do Meu misericordioso Coração, hão de cair nas mãos da Minha justiça. Diz aos pecadores que sempre espero por eles, preciso atenção ao pulsar dos corações deles, para ver quando batem por Mim. Escreve que falo a eles pelos remorsos da consciência, pelos malogros e sofrimentos, pelas tempestades e raios; falo pela voz da Igreja e, se menosprezarem todas as Minhas graças, começarei a Me zangar com eles, deixando-os a si mesmos, e dou-lhes o que desejam”.

(Jesus a Santa Faustina) - Devocionário à Divina Misericórdia - Canção Nova / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

sábado, 11 de abril de 2015

Evangelho Dominical: Meu Senhor e meu Deus

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: “A paz esteja convosco”. Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. Jesus disse, de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Então, soprou sobre eles e falou: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos”. [...] Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”. Jesus lhe disse: “Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!”. Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. Jo 20, 19-31

Como se chega à fé na ressurreição de Jesus Cristo?

Os textos do evangelho dos domingos do tempo pascal são uma catequese sobre a ressurreição. Eles não dizem como Jesus ressuscitou dos mortos, mas comunicam a experiência daqueles que, por primeiro, experimentaram que o Senhor, no Espírito, estava vivo no meio deles, e, ainda, indicam os critérios pelos quais se pode experimentar e reconhecer a presença de Jesus ressuscitado. Como se chega à fé na ressurreição de Jesus Cristo? Nosso texto apresenta duas etapas com um intervalo de oito dias. Na primeira etapa, Tomé não estava; na segunda, ele estava reunido com os outros discípulos.

Os discípulos se encontram reunidos no primeiro dia da semana. É como se fosse o primeiro dia da criação, em que a luz foi feita (Gn 1,3). Efetivamente, a ressurreição do Senhor é luz que anuncia uma nova criação em Cristo. No lugar em que os discípulos estavam reunidos, as portas estavam aferrolhadas por medo dos judeus. Essa observação seguida da notícia de que Jesus se colocou no meio deles é importante para compreender que a presença do Senhor não exige mais um corpo carnal para ser reconhecida. O seu corpo é glorioso e sua presença prescinde da visibilidade. O que ele comunica é a paz, sinal e dom de sua presença. É nesse primeiro dia da semana que o Espírito é dado como sopro do Senhor para a missão e a reconciliação. A ausência de Tomé é importante para o propósito do texto. Ele se recusa a crer no que os outros discípulos anunciavam: “Vimos o Senhor”. Passados oito dias, estando Tomé com os demais discípulos, no mesmo lugar da reunião, Jesus se faz presente e é sentido e reconhecido com o sinal de sua presença: a paz. O diálogo de Jesus com Tomé permite ao leitor compreender que se chega à fé no Cristo Ressuscitado e na sua gloriosa ressurreição através do testemunho da comunidade.

Não há acesso imediato à ressurreição de Jesus Cristo, mas somente mediato, isto é, através do testemunho. É a recepção desse testemunho que permite experimentar na própria vida os efeitos da Ressurreição do Senhor. Nesse sentido, a fé é fundamentalmente “tradição”. Mas Tomé não é, no relato, o homem da dúvida somente e que busca crer por si mesmo ou que julga que só é digno de fé o que pode ser tocado ou demonstrado. Ele é homem de fé, transformado pelo Senhor, capaz de reconhecer o dinamismo próprio pelo qual se chega à fé. A ressurreição de Cristo é o nosso grande bem. Ela é a vida nova de Jesus Cristo, no Espírito Santo. Essa vida nova nos é comunicada pela ação do Espírito que Deus, na sua imensa bondade, quis fazer habitar em nossos corações.

Pe. Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Dom Hélder Câmara é declarado “Servo de Deus” pela Santa Sé

Aval do Vaticano para abertura do processo de canonização foi enviado ao arcebispo local; primeira reunião para andamento do processo será em 3 de maio

Conhecido como o “Dom da paz”, o ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, recebeu o título de “Servo de Deus”. A Congregação para a Causa dos Santos emitiu o parecer favorável autorizando o início do processo de beatificação e canonização do religioso.


O aval da Santa Sé foi comunicado por meio de carta do presidente da Congregação, Cardeal Angelo Amato, menos de dez dias depois que o responsável pelo dicastério confirmou o recebimento do pedido de abertura do processo de Dom Helder, no dia 16 de fevereiro. Contudo, a correspondência só chegou à arquidiocese nesta segunda-feira, 6.

O atual arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, atendeu a imprensa nesta quarta-feira, 8, para explicar como será o andamento do processo daqui para frente. Ele leu o comunicado oficial, traduzido do latim para o português.

A etapa seguinte consiste em reconhecer as “virtudes heróicas” do ex-arcebispo que há 50 anos desembarcou no Estado. Para isso, uma comissão jurídica será nomeada por dom Fernando Saburido, informou a assessoria de comunicação da arquidiocese.

O tribunal, como é chamado o grupo de trabalho, será formado por cinco membros: juiz delegado e promotor de justiça (ambos canonistas), notário, notário adjunto e cursor. A primeira sessão de atividades da comissão será no próximo dia 3 de maio, durante Missa presidida pelo arcebispo, às 9h, na Igreja Catedral Sé de Olinda. Na ocasião haverá a nomeação oficial e o juramento dos escolhidos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A importância da Oitava de Páscoa

Após o domingo de Páscoa a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo sobre a Igreja reunida no Cenáculo com a Virgem Maria. É o coroamento da Páscoa. O Espírito Santo dado à Igreja é o grande dom do Cristo glorioso.


O Tempo Pascal compreende esses cinquenta dias (em grego = “pentecostes”), vividos e celebrados “como um só dia”. Dizem as Normas Universais do Ano Litúrgico que: “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, “como se fosse um único dia festivo”, como um grande domingo” (n. 22).

É importante não perder o caráter unitário dessas sete semanas. A primeira semana é a “oitava da Páscoa”. Ela termina com o domingo da oitava, chamado “in albis”, porque nesse dia os recém batizados tiravam as vestes brancas recebidas no dia do Batismo.

Esse é o Tempo litúrgico mais forte de todo o ano. É a Páscoa (passagem) de Cristo da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a Páscoa também da Igreja, seu Corpo. No dia de Pentecostes a Igreja é introduzida na “vida nova” do Reino de Deus. Daí para frente o Espírito Santo guiará e assistirá a Igreja em sua missão de salvar o mundo, até que o Senhor volte no Último Dia, a Parusia. Com a vinda do Espírito Santo à Igreja, entramos “nos últimos tempos” e a salvação está definitivamente decretada; é irreversível; as forças o inferno vencidas pelo Cristo na cruz, não são mais capazes de barrar o avanço do Reino de Deus, até que o Senhor volte na Parusia.

A Igreja logo nos primórdios começou a celebrar as sete semanas do Tempo Pascal, para “prolongar a alegria da Ressurreição” até a grande festa de Pentecostes. É um tempo de prolongada alegria espiritual. Esse tempo deve ser vivido na expectativa da vinda do Espírito Santo; deve ser o tempo de um longo Cenáculo de oração confiante.

Nestes cinquenta dias de Tempo Pascal, e, de modo especial na Oitava da Páscoa, o Círio Pascal é aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Ele simboliza o Cristo ressuscitado no meio da Igreja. Ele deve nos lembrar que todo medo deve ser banido porque o Senhor ressuscitado caminha conosco, mesmo no vale da morte (Sl 22). É tempo de renovar a confiança no Senhor, colocar em suas mãos a nossa vida e o nosso destino, como diz o salmista: “Confia os teus cuidados ao Senhor e Ele certamente agirá” (Salmo 35,6).

Os vários domingos do Tempo Pascal não se chamam, por exemplo, “terceiro domingo depois da Páscoa”, mas “III domingo de Páscoa”. As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão voltados para a Ressurreição. A primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos, as ações da Igreja primitiva, que no meio de perseguições anunciou o Senhor ressuscitado e o seu Reino, com destemor e alegria.

Portanto, este é um tempo de grande alegria espiritual, onde devemos viver intensamente na presença do Cristo ressuscitado que transborda sobre nós os méritos da Redenção. É um tempo especial de graças, onde a alma mais facilmente bebe nas fontes divinas. É o tempo de vencer os pecados, superar os vícios, renovar a fé e assumir com Cristo a missão de todo batizado: levar o mundo para Deus, através de Cristo. É tempo de anunciar o Cristo ressuscitado e dizer ao mundo que somente nele há salvação.

Então, a Igreja deseja que nos oito dias de Páscoa (Oitava de Páscoa) vivamos o mesmo espírito do domingo da Ressurreição, colhendo as mesmas graças. Assim, a Igreja prolonga a Páscoa, com a intenção de que “o tempo especial de graças” que significa a Páscoa, se estenda por oito dias, e o povo de Deus possa beber mais copiosamente, e por mais tempo, as graças de Deus neste tempo favorável, onde o céu beija a terra e derrama sobre elas suas Bênçãos copiosas.

Mas, só pode se beneficiar dessas graças abundantes e especiais, aqueles que têm sede, que conhecem, que acreditam, e que pedem. É uma lei de Deus, quem não pede não recebe. E só recebe quem pede com fé, esperança, confiança e humildade.

As mesmas graças e bênçãos da Páscoa se estendem até o final da Oitava. Não deixe passar esse tempo de graças em vão! Viva oito dias de Páscoa e colha todas as suas bênçãos. Não tenha pressa! Reclamamos tanto de nossas misérias, mas desprezamos tanto os salutares remédios que Deus coloca à nossa disposição tão frequentemente.

Muitas vezes somos miseráveis sentados em cima de grandes tesouros, pois perdemos a chave que podia abri-lo. É a chave da fé, que tão maternalmente a Igreja coloca todos os anos em nossas mãos. Aproveitemos esse tempo de graça para renovar nossa vida espiritual e crescer em santidade.

O Círio Pascal

O Círio Pascal estará acesso por quarenta dias nos lembrando isso. A grande vela acesa simboliza o Senhor Ressuscitado. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra “círio” vem do latim “cereus”, de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado. O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília, por isso ele traz uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ômega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

No Vaticano, a cera do Círio Pascal do ano anterior é usada para a confecção do “Agnus Dei” (Cordeiro de Deus), que muitos católicos usam no pescoço; é um sacramental valioso para nos proteger dos perigos desta vida, pois é feito do Círio que representa o próprio Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é confeccionado de cera branca onde se imprime a figura de um cordeiro, símbolo do Cordeiro Imolado para reparar os pecados do mundo.

Esses “Agnus Dei” são mergulhados pelo Papa em água misturada com bálsamo e o óleo Sagrado Crisma. O Sumo Pontífice eleva profundas orações a Deus implorando para os fiéis que os usarem com fé, as seguintes graças: expulsar as tentações, aumentar a piedade, afastar a tibieza, os perigos de veneno e de morte súbita, livrar das insidias, preservar dos raios, tempestades, dos perigos das ondas e do fogo – impedir que qualquer força inimiga nos prejudique – ajudar as mães no nascimento das crianças.

Prof. Felipe Aquino / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 7 de abril de 2015

Ressuscitou de verdade!

A resposta confirma a convicção: “Ressuscitou de verdade”

Uma antiga e sempre atual saudação para o Tempo Pascal resume, em poucas palavras, a fé dos cristãos: “Cristo ressuscitou!”. A resposta confirma a convicção: “Ressuscitou de verdade!”. Essa saudação pode ser retomada na Liturgia e repetida nos cumprimentos entre as pessoas e, mais ainda, pode ser roteiro de vida. É o nosso modo de desejar uma Santa Páscoa a todos, augurando vida nova e testemunho vivo do Ressuscitado, com todas as consequências para a vida pessoal e para a sociedade.


Celebrar a Páscoa é penetrar no mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nos dias de Semana Santa, saltaram à vista Seu modo tão divino e humano de viver a entrega definitiva. “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). É a entrega livre daquele de quem ninguém tira a vida, mas se faz dom de salvação.

Jesus Cristo, que é verdadeiro Deus, oferece o testemunho de inigualável maturidade, na qual se encontra a referência para todos os seres humanos. “Os guardas voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam: Ninguém jamais falou como este homem” (Jo 7, 45-46). Encontrá-Lo é descobrir o caminho da realização pessoal. Mas seria pouco O considerar apenas exemplo a ser seguido. “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). O homem verdadeiro é Senhor e Salvador. N’Ele estão nossas esperanças e a certeza da ressurreição. Mais do que Mestre ou sábio de renome, n’Ele está a salvação.

Seus apóstolos e discípulos, antes temerosos diante das perseguições, tendo recebido o Espírito Santo, sopro divino do Ressuscitado sobre a comunidade dos fiéis, tornaram-se ardorosos anunciadores de Sua ressurreição e de Seu nome. Basta hoje o anúncio de Cristo: “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes. “Quando ouviram isso, ficaram com o coração compungido e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: Irmãos, que devemos fazer? Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar” (At 2, 36-39).

Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo há de voltar! O que parece simplório é suficiente, pois daí nascem todas as consequências: vida nova, alegria perene, capacidade para se levantar das próprias crises e pecados, amor ao próximo, vida de comunidade, testemunho corajoso da verdade, vida nova na família cristã, compromisso social, serviço da caridade! Tudo isso? Sim, na Páscoa de Jesus Cristo está o centro da fé cristã e a fonte de vitalidade, da qual gerações e gerações de cristãos beberam como de uma fonte verdadeiramente inesgotável.

Celebrar a Páscoa é ir além da recordação dos fatos históricos, para chegar ao encontro com Cristo vivo. Nós cristãos O reconhecemos hoje presente, fazendo arder os corações, vamos ao Seu encontro nos irmãos, especialmente na partilha com os mais pobres, acolhemos Sua palavra viva, lida da Sagrada Escritura e proclamada na liturgia, sabemos que Ele permanece conosco quando nos amamos uns aos outros, e está vivo na Igreja, quando se expressam os sucessores dos apóstolos e O buscamos na maior exuberância de Sua presença, que é a Eucaristia. Esse é nosso documento de identidade!

Com o necessário respeito à liberdade de todas as pessoas, queremos hoje dizer a todos os homens e mulheres, em todas as condições em que se encontram, que as portas estão abertas, mais ainda: escancaradas. Se quiserem, aqui está o convite para a maior de todas as comemorações: “Celebremos a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniquidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade!” (I Cor 5, 8). É Páscoa do Senhor! Feliz, verdadeira e Santa Páscoa da Ressurreição!

Dom Alberto Taveira - Canção Nova Formação / Foto: Bruno Araújo - Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

domingo, 5 de abril de 2015

Cristo ressuscitou!

No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos. Jo 20, 1-9


Jesus Cristo ressuscitado é fonte de luz

A festa da Páscoa de Jesus Cristo é a mais importante de todo o ano litúrgico. É uma festa luminosa. O Senhor ressuscitado dos mortos ilumina a humanidade inteira. O relato dos discípulos de Emaús, uma das páginas mais belas de toda a Sagrada Escritura, é a narração da Páscoa dos discípulos: o Senhor ressuscitado faz os discípulos passarem da cegueira à luz, da tristeza à alegria e do isolamento à comunhão. O caminho que separa Jerusalém de Emaús é metáfora de um caminho muito mais longo, o caminho através das Escrituras, em que a lição de exegese dada por Jesus aos dois discípulos oferece condições de eles reconhecerem o Senhor no partir o pão. A morte de Jesus representou uma forte frustração para aqueles que punham nele as esperanças messiânicas e fez com que, por um instante, a comunidade dos discípulos entrasse em crise. O nosso texto visa transmitir o fato que permitiu a passagem do abatimento à alegria, do ver ao reconhecer. O espaço teológico-espiritual entre o ver e o reconhecer permitiu a Jesus a lição de exegese. No tempo do reconhecimento os discípulos confessarão que foi ela que os transformou. A explicação e compreensão da Escritura, à luz da ressurreição do Senhor, abriram-lhes os olhos para o reconhecimento. A primeira ressurreição para os discípulos é, então, a da memória. Eles compreenderam, então, que o Senhor que se apresenta vivo no meio deles, de alguma forma, estava presente em toda a Escritura, a qual, por sua vez, encontra nele sua plenitude e sentido. Quando do reconhecimento, o Senhor desapareceu da vista deles. É que a visão física não é mais necessária para “ver” o Senhor. Mesmo invisível aos olhos, o Senhor está e permanecerá presente. A invisibilidade não significa, no que diz respeito à fé, ausência. Fato, aliás, que eles nem sequer mencionam, como se a visibilidade não tivesse a menor importância. O que retém a atenção, e é objeto da mensagem deles aos demais discípulos, é o acontecido no caminho para Emaús, no tempo que precedeu o reconhecimento, tempo de escuta, em que o Mestre ressuscitado continua a instruir os seus discípulos. Se a morte dispersou os discípulos, a experiência do Ressuscitado os congrega. Jesus Cristo ressuscitado é fonte de luz. A ressurreição do Senhor dá sentido à sua paixão; sem a ressurreição a paixão seria um fracasso total. Racionalmente, a ressurreição é inexplicável, mas a fé nos permite experimentar, em nossa própria vida, os seus efeitos que iluminam o mistério de Jesus e da nossa existência.

Pe. Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/