quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Dicas para ler a Bíblia

1. Leia a Bíblia todos os dias

Eis a principal regra de ouro: ler a Bíblia todos os dias. Sem exceção. Leia-a quando tiver vontade e quando não a tiver também! É como remédio: com ou sem vontade, o tomamos, porque é necessário. Com a Bíblia é a mesma coisa. E isso é premente nos tempos em que vivemos.

Da mesma forma que você alimenta o corpo todos os dias, alimente diariamente o seu espírito com a Palavra de Deus. Assim como tomamos banho todos os dias e, quando não podemos fazê-lo de manhã, à noite o corpo pede um banho, assim também se passa com a leitura da Bíblia: se você não conseguir a ler durante o dia, sem que você se aperceba, o seu espírito ficará pedindo um banho da Palavra de Deus. Não deixe de dar ao seu espírito o que você dá ao seu corpo!

Tem gente que não consegue dormir sem tomar banho; essas pessoas se viram e se reviram na cama sem dormir. Que eu e você sejamos assim espiritualmente falando: que não possamos dormir sem o banho da leitura da Palavra de Deus.

2. Tenha uma hora marcada para a leitura bíblica

Para grande parte das pessoas, a melhor hora de ler é de manhã cedinho. Elas se levantam cedo para ler a Palavra de Deus e fazer o seu trabalho com o diário espiritual, antes das outras ocupações e do começo do movimento em casa. Trata-se de um costume maravilhoso. É certamente o que mais rende. Além disso, tem-se a vantagem de iniciar, logo cedo, uma super-refeição e começar o dia com força total.

Há, porém, quem tenha dificuldades para fazer isso. São pessoas que, pela manhã, sentem-se pesadas e sonolentas. Parece que a cabeça delas não funciona. Elas não conseguem se concentrar nesse horário. E não adianta fazer esforço, pois terminam por gastar tempo para alcançar pouco. Nada há nada de estranho nisso. Existem muitas pessoas assim, talvez você seja uma delas. Essas pessoas, em geral, rendem mais à noite. Apesar do cansaço do dia, à noite sua mente fica desperta, ativa. Se para você o período bom for o noturno, não hesite: trabalhe com a Bíblia à noite.

Fazer isso também tem vantagens: você prolonga a leitura até a hora que quiser e vai dormir com um bom conteúdo na mente. E o seu inconsciente, com certeza, vai trabalhar com todo esse material.

Para muitas mães de família, o melhor momento é o meio da tarde, depois de terminarem os trabalhos domésticos. Nessa hora, elas estão sossegadas por não haver barulho nem movimento na casa, o que lhes permite trabalhar com a Bíblia.

O importante é descobrir o melhor período para você. E fazer dele a sua hora marcada, sendo-lhe fiel, sem exceções.


3. Marque a duração da leitura bíblica

Esta é outra regra de ouro: marque a duração da leitura e seja fiel e ela. Seja sério consigo mesmo. É preferível 10 minutos todos os dias a ser levado pelo entusiasmo de quem começa e não ir em frente. Muitas pessoas que, de início, exigiram muito de si mesmas, a fim de fazer com seriedade e constância esse trabalho, agora se confessam satisfeitas com o fato de que, passado certo tempo, sentiram um envolvimento e uma motivação tamanhos de modo que a disciplina deixou de ser uma exigência. Do mesmo modo, dado o rigor com o qual encararam esse tempo para a leitura, hoje, percebem que ele se tornou curto. Elas precisam de mais tempo, o trabalho ficou com gosto de “quero mais”. Pena que nem sempre isso seja possível.

4. Escolha um bom lugar

Ter o nosso cantinho para isso é muito bom. E não precisamos de nada especial; o que importa é contar com um lugar tranquilo, silencioso, que facilite a concentração e favoreça a criação de um clima de oração. Faz-nos bem ir todos os dias para o nosso cantinho e nele fazer o nosso trabalho com a Bíblia. Lembre-se, todavia, de que o lugar é uma coisa secundária: ele é apenas um meio para trabalharmos melhor e com maior resultado. Importante mesmo é, em qualquer lugar e em qualquer circunstância, realizar com dedicação a nossa tarefa.

5. Leia a Palavra com lápis ou caneta na mão

Não se trata de simplesmente ler; devemos fazer uma leitura ativa. Um meio simples, mas eficaz de fazer isso, é ler com lápis ou caneta na mão. Sublinhe as passagens mais importantes, tudo o que chamar a sua atenção, as coisas que lhe falaram ao coração e que o tocaram de modo especial. É até bom ter uma caneta de quatro cores e usar ora uma ora outra. Isso ajuda: ponha trechos em destaque, diferencie-os.

Utilize sinais que tenham sentido para você, faça anotações, não tenha medo de riscar a sua Bíblia. Ela é um instrumento de trabalho. Você vai ficar com ela bem marcada; vai ser fácil você se lembrar das passagens bíblicas e encontrá-las quando procurar. Além disso, facilita a concentração na leitura, o entendimento da mensagem e a impressão do que é lido na mente e no coração.

6. Faça tudo em espírito de oração

Você não está apenas lendo a Bíblia, você está buscando um encontro com a Palavra de Deus. Está à procura de um contato íntimo com a Palavra viva do Deus, que fala a você por intermédio dela. Trata-se de um diálogo: você escuta, você acolhe, você se sente tocado, se sensibiliza, responde. É um encontro vivo entre pessoas vivas, um encontro de pessoas que se amam mutuamente. Muitos experimentaram essa relação. Experimente-a você também.

O principal interesse de Deus não é tanto fazer você escutar, mas falar com você. Ele deseja instruí-lo e conduzi-lo ao conhecimento da verdade. Por isso, esteja atento, fique alerta; mantenha-se numa atitude de expectativa. Deus tem algo de bem pessoal e concreto para lhe dizer!

Artigo extraído “A Bíblia no meu dia a dia” de monsenhor Jonas Abib / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Canção Nova transmite ao vivo debate com presidenciáveis

Debate promovido pela CNBB vai ser transmitido por oito emissoras de TV, 230 rádios e vários portais católicos

Nesta terça-feira, 16, às 21h30, acontece o Debate Presidencial promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na cidade de Aparecida (SP).

O debate será transmitido AO VIVO pela TV Canção Nova e outras sete emissoras de inspiração católica, além de 230 rádios e vários portais católicos.

Uma novidade será a cobertura minuto a minuto através do Twitter @cnnoticias.


Estrutura do debate

O debate está dividido em cinco blocos e terá duas horas de duração. No primeiro bloco, os convidados irão responder a uma única pergunta elaborada pela presidência da CNBB, em ordem já definida por sorteio na presença dos representantes dos partidos. Cada candidato terá dois minutos para resposta.

Durante o segundo bloco, os candidatos irão responder a perguntas propostas pelos bispos indicados pela CNBB, sobre temas como saúde, educação, habitação, reforma agrária, reforma política e lei do aborto.

No terceiro bloco, os convidados responderão a perguntas de jornalistas das mídias católicas. O quarto bloco será de embate entre os candidatos à presidência do Brasil. E o último bloco será dedicado às considerações finais dos convidados.


Canção Nova Notícias - com Assessoria Aparecida / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O significado das dores de Nossa Senhora

Para entender o sofrimento e as dores de Nossa Senhora e a dureza com a qual ela é tratada por seu Filho Jesus Cristo nas narrativas bíblicas, é necessário compreender o sentido da constante iniciação à fé pura e o estar de pé junto à cruz. Maria esteve com Jesus, junto à cruz, “não sem desígnio de Deus, sofrendo com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor no sacrifício da vítima por ela mesma gerada. Finalmente, pelo próprio Cristo Jesus moribundo na cruz foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: ‘mulher, eis aí o teu filho’”, e depois ao lado daquele a quem Ele amava: “Eis a tua mãe!”. Todo o sofrimento da Mãe do Senhor, especialmente as dores pela crucifixão e morte do seu Filho, tem seu sentido mais pleno no mistério pascal, na obra da salvação do mundo.


Ficamos surpresos, sem saber a razão das palavras e do tratamento de Jesus para com a sua Mãe, tanto em Caná como no Calvário, nos quais ela é tratada por “mulher”. Seu próprio Filho Jesus Cristo é “o primeiro a empunhar a espada que a deve trespassar”. Maria estava sendo preparada, desde a profecia de Simeão, passando pela forma dura com a qual Jesus a tratou em Caná e em outras narrativas bíblicas, para o momento decisivo aos pés da cruz. A providência divina usou dessa dura pedagogia com a Virgem Maria para o seu amadurecimento na fé, para que ela estivesse de pé junto à cruz de Cristo.

No Calvário, manifestam-se o aparente fracasso do Filho e o seu abandono pelo Pai, aos quais a Mãe precisa dizer “sim”, pois ela havia aceitado todo o destino de seu Filho. “E como para encher totalmente o cálice amargo, o Filho, ao morrer, abandona explicitamente sua mãe, na medida em que se lhe retira e lhe atribui um outro filho: ‘Mulher, eis o teu filho’”. Nesta passagem bíblica, vemos o cuidado de Jesus com a sobrevivência de sua Mãe, e se “torna evidente que Maria manifestamente não tinha outros filhos segundo a carne, pois, senão, a sua entrega ao discípulo amado seria supérflua e inadmissível”.

Entretanto, há um outro motivo para essa passagem, que não deve passar despercebido: “Tal como o Filho é abandonado pelo Pai, também ele abandona sua mãe, de forma que ambos estão unidos no mesmo abandono. Só assim ela está intimamente preparada para assumir a maternidade eclesial relativamente a todos os novos irmãos e irmãs de Jesus”.

A obediência da Mãe do Salvador, a sua abertura à vontade do Pai, a fez livre para assumir esta maternidade espiritual sobre os crentes. O engrandecer Deus, que está presente em Maria, significa tornar-nos livres para Ele, significa um verdadeiro êxodo, uma saída do ser humano de si mesmo, a passagem da oposição para a união das duas vontades, a vontade humana e a divina, que passa pela cruz da obediência. Este aspecto crucificante da graça, da profecia e da mística, encontramos referido em Lucas, no que diz respeito a Maria, em primeiro lugar no encontro com o velho Simeão. Ele diz profeticamente a respeito da Mãe de Jesus: “Uma espada traspassará a tua alma!”. Esta profecia de Simeão nos remete à profecia de Natã a Davi, que havia mandado matar Urias: “A espada jamais se afastará de tua casa”. “A espada que impende sobre a casa de Davi fere agora o coração de Maria. No verdadeiro Davi, que é Cristo, e em sua mãe, a Virgem pura, a maldição é executada e superada”. A espada que transpassará o coração de Maria está ligada à paixão do Filho, que se tornará a sua própria paixão.

A paixão da Virgem Maria começa na sua visita ao Templo. Nossa Senhora deve aceitar a primazia do verdadeiro Pai e do Templo, renunciando Àquele a quem deu à luz. Ela leva às últimas consequências o “sim” à vontade de Deus à medida que se retrai e liberta o Filho para sua missão. Nos momentos em que é repelida por Jesus, durante a sua vida pública, neste retraimento de Maria dá-se um passo importante, que se cumprirá na cruz com a palavra: “Mulher, eis o teu filho”. Já não é Jesus, mas sim o discípulo amado que é seu filho. “A aceitação e a disponibilidade é o primeiro passo que lhe é pedido; o abandono e a renúncia é o segundo. Só assim a sua maternidade se torna perfeita”: a bem-aventurança segundo a qual é dito “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” só se realiza, verdadeiramente, quando se torna outra bem-aventurança: “Felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Dessa forma, “Maria é preparada para o mistério da cruz, que não termina simplesmente no Gólgota. O seu Filho permanece sinal de contradição e ela é mantida até o fim na dor da contradição, no sofrimento da maternidade messiânica”.

Na imagem de Nossa Senhora das Dores, da Mãe sofredora, que tem o Crucificado nos seus braços, “nesta mãe compadecida os sofredores de todos os tempos viram a imagem mais pura da compaixão divina, que é a única verdadeira consolação. Pois toda a dor, todo o sofrimento é, na sua essência última, solidão, perda de amor, felicidade destruída pelo inaceitável. Só o ‘com’ da com-paixão pode curar a dor. […] Deus não pode padecer, mas pode compadecer-se”. Há uma paixão muito íntima em Deus, que é a sua própria natureza: o amor. Por ser Amor, não é estranho a Deus o sofrimento sob a forma de compaixão. Nesse sentido, “a Cruz de Cristo é a compaixão de Deus pelo mundo”.

No Antigo Testamento, a compaixão de Deus se expressa em hebraico pela palavra rahamim, que significa “seio materno”. Esta palavra hebraica exprime o estar “com” o outro, a aptidão humana de estar presente com o outro, recebê-lo, sustentá-lo, dar-lhe vida enquanto ser assumido. “Com uma palavra da linguagem do corpo, o Antigo Testamento diz-nos como Deus nos acolhe e nos sustenta com um amor de compaixão. […]. A imagem da Pietá, a mãe que chora o filho morto, tornou-se, na tradução viva desta palavra: nela se torna manifesto o sofrimento maternal de Deus”.

Assim, na imagem da Mãe lacrimosa, imagem da rahamim de Deus, a imagem da cruz se cumpre inteiramente, porque a cruz é assumida, a cruz é compartilhada no amor que nos permite, na sua compaixão maternal, experimentar a compaixão de Deus. “A dor da mãe é dor pascal que já opera a abertura da transformação da morte à presença salvífica do amor”. A alegria da anunciação está presente no mistério da cruz, pois a verdadeira alegria nos permite ousar o êxodo do amor até o íntimo da santidade ardente de Deus. Esta alegria verdadeira não é destruída pelo sofrimento, mas é levada por este à sua plena maturidade. Tal maturação possibilita uma nova maternidade. Esta “’nova maternidade de Maria’ […] gerada pela fé, é fruto do ‘novo’ amor, que nela amadureceu definitivamente aos pés da cruz, mediante a sua participação no amor redentor do Filho”.

Natalino Ueda - Canção Nova Formação / Foto: Bruno Araújo / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

sábado, 13 de setembro de 2014

Exaltação da Santa Cruz

“Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna.” De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Jo 3,13-17

A cruz de Jesus Cristo é expressão do amor de Deus

A festa da exaltação da Santa Cruz remonta a meados do século IV d.C., quando o bispo de Jerusalém, na festa da dedicação da dupla basílica, constituída por duas igrejas, a igreja da Ressurreição e a igreja do martírio, levantou uma relíquia da cruz e a apresentou ao povo para a veneração. Desse gesto é que deriva o nome de exaltação da Santa Cruz. Mas é na Sexta-Feira Santa que, a cada ano, os cristãos veneramos a cruz do Senhor como penhor de nossa salvação. A cruz de Jesus Cristo é expressão do amor de Deus por toda a humanidade. No entanto, tenhamos todos muito claro que a mística cristã não é a mística da cruz, mas a mística do Crucificado.

O evangelho de hoje faz referência explícita ao episódio relatado no livro dos Números que lemos na primeira leitura. Durante a travessia pelo deserto rumo à terra da promessa, a tentação frequente do povo, que Deus havia tirado da casa da servidão, era de voltar atrás (Nm 21,5). Tinha sido libertado por Deus da escravidão, mas não tinha superado e se libertado da mentalidade de escravo. Será preciso um longo e dolorido caminho para que essa páscoa aconteça. A causa do que eles imaginavam ser o castigo de Deus, era, na verdade, consequência da falta de confiança e da murmuração contra Deus. A serpente de bronze levantada numa haste era expressão de uma crença de que, tendo o inimigo numa imagem, ele seria controlado. O texto apresenta uma novidade em relação a outros prodígios de Deus ao longo da travessia pelo deserto; ele exige, de quem quer ser salvo, fixar o olhar no emblema (vv. 8-9). O livro da Sabedoria, relendo esse fato, dá a ele um alcance teológico: é Deus quem liberta de todo mal (Sb 16,5-8).

Para o trecho do evangelho de hoje, no qual o episódio do livro dos Números é utilizado, a elevação de Jesus Cristo é o antítipo da serpente elevada. O trecho faz parte da catequese batismal do capítulo 3 do evangelho de João. Essa nossa perícope dá uma interpretação cristológica ao episódio narrado pelo autor do livro dos Números: quem salva e cura da morte é Jesus Cristo. É pela fé em Jesus Cristo, crucificado, morto e ressuscitado, que se é salvo e se tem a vida eterna.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Anular o voto é pecado?

Os últimos Papas têm insistido em que os católicos participem da vida pública, sobretudo da política, que é a ciência do “bem comum”, uma forma de fazer a caridade pública. Recentemente o Papa Francisco, ao falar sobre isso, declarou:

“Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Nós não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos, não podemos. Temos de nos meter na política porque a política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu pergunto: está suja por quê? Por que os cristãos não se meteram nela com espírito evangélico? É a pergunta que faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros… Mas, e eu, o que faço? Isso é um dever. Trabalhar para o bem comum é dever do cristão”.


Note que o Sumo Pontífice enfatizou que a política é uma das “formas mais altas de caridade”, porque é por ela que um país é governado, atendendo especialmente os mais necessitados. Contudo, se os homens e mulheres públicos forem desonestos ou despreparados, essa caridade não existirá. E a culpa, acima de tudo, é do próprio povo, porque é ele quem escolhe pelo voto seus governantes.

São aqueles que exercem cargos públicos, eleitos pelo povo, que empregam o dinheiro de todos, arrecadado por intermédio dos impostos, para cuidar do povo, especialmente os mais necessitados, investindo na saúde, no transporte público, na educação, nas moradias, no saneamento básico, no fornecimento de água, de energia, telefone, internet, entre outros.

Na sua Encíclica “Evangelii Gaudium”, em português “A Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco repetiu: “A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (EG, 205).

O Papa Bento XVI afirmou o seguinte sobre esse tema: “Reitero a necessidade e urgência de formação evangélica e acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos envolvidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham firmeza moral, capacidade de julgar, competência profissional e paixão pelo serviço ao bem comum” (Vaticano, 15/11/ 2008).

O Concílio Vaticano II também já tinha se pronunciado sobre isso: “Lembrem-se, portanto, todos os cidadãos ao mesmo tempo do direito e do dever de usar livremente seu voto para promover o bem comum. A Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública a serviço dos homens e assumem os trabalhos deste cargo” (Gaudium et Spes, 75).

E o nosso Catecismo da Igreja Católica, no número 899, repete: “A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar as realidades sociais, políticas e econômicas com as exigências da doutrina e da vida cristãs”.

Na “Christifidelis laici”, no número 42, São João Paulo II disse: “Para animar cristãmente a ordem temporal [...], os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.

Infelizmente o demônio colocou na cabeça dos bons que a política é coisa de gente má; então, muitos maus a dominaram. É preciso acordar desse pesadelo. Os cristãos precisam ter uma participação ativa na política, não só como candidatos, como também na promoção dos bons políticos.

O povo precisa aprender a votar e a conhecer bem os candidatos. Alguns, no dia da eleição, pegam um papel de propaganda na rua e dão o seu voto a qualquer um. Pior ainda são os que anulam o voto ou votam em branco, jogando fora o direito e o dever sagrado de participar da vida da nação. E, ao agirem assim, acabam facilitando a eleição dos piores. Anular o voto é pecado, é desprezar o direito sagrado de participar da vida pública. O voto nulo ajuda o mau político a se eleger. Se não gostamos de nenhum candidato devemos votar no “menos ruim”, mas nunca em branco ou nulo, pois alguém será eleito.

Hoje com a internet, ficou mais fácil saber quem é político e quem é “politiqueiro”; quem quer trabalhar para o povo e quem quer trabalhar para si mesmo. Então, é fundamental que os cristãos informem seus irmãos e suas comunidades sobre quem não merece o voto deles.

Precisa ficar claro que a política é boa, o que não presta é a politicagem; e que o político é bom, o que não presta é o “politiqueiro”.

O pior problema hoje do nosso país é que grande parte da população é alienada da vida pública, não lê um jornal, uma boa revista sobre o assunto, limita-se a ver noticiários de televisão e se deixa, muitas vezes, enganar por um favor que recebe. São pessoas que votam com o estômago e não com a cabeça.

O voto é sagrado, é a arma da democracia se ele for dado com conhecimento de causa e com honestidade, sem se vender. Contudo, se não houver nada disso, a democracia ficará doente e poderá se tornar ditadura disfarçada.

O Brasil carece de uma reforma política séria, por meio da qual se implante, por exemplo, o voto distrital, se acabe com o tal “coeficiente eleitoral”, que faz com que muitos sejam eleitos com os votos de outros. Mas tudo isso só acontecerá quando houver uma mudança na qualidade dos nossos governantes.

Muitos que hoje são eleitos têm suas caríssimas campanhas políticas custeadas por grandes corporações: sindicatos, igrejas, cooperativas, empresários, entre outros. Depois de eleitos, vão trabalhar para o bem do povo? Não. Para o bem de quem os custeou. Desse modo, a política como caridade não existe e os lobbies a dominam. Então, é preciso termos governantes eleitos, de fato, pelo povo, conscientizado e não comprado com caros investimentos. Cabe a cada cristão se conscientizar a respeito disso e conscientizar seus irmãos para que não sejam manipulados, comprados e subjugados.

Prof. Felipe Aquino - Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Que tal se inspirar na Sagrada Escritura?

Que tal antes de começar algo inspirar-se na Sagrada Escritura?

Jesus é o motivo de todas as coisas existirem. “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3). Cristo é o Senhor, e tudo está submetido a Ele, tanto o mundo material como o angélico: “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2, 10). Também toda matéria e forma, viva ou inanimada, nesta terra ou no plano espiritual, estão sob Seu olhar. “Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4, 12-13).

Jesus é a Palavra criadora, o Verbo Encarnado do Pai. E a Palavra quis colocar-se em meio a nós (cf. Jo 1, 14), perpassando e agindo em nossas realidades: “A palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55, 11).


Ou seja, a Palavra de Deus rege todas as coisas. Sendo assim, ela pode trazer eficácia em tudo o que fazemos. Por que então nos privarmos de nos orientar por ela ao empreendermos algo?

Queira ser um agente que propaga a Sagrada Escritura. A força e a sabedoria ali contidas provêm da boca do Senhor e não de nós, humanos. Deus não a deixará cair no descrédito. Podemos contar sempre com os efeitos da unção de Jesus em todas as nossas iniciativas. Leve sempre a Bíblia aonde for!

Que tal antes de começar algo inspirar-se na Sagrada Escritura? Comece tudo o que for fazer com a oração de um trecho bíblico, como um salmo por exemplo. Ao acordar, antes de pegar o trânsito, antes de iniciar um trabalho ou ministério, leia um versículo, busque uma passagem relacionada à situação que você está vivendo. Com certeza, Deus falará algo ao seu coração, pois Ele quer participar de sua vida.

Destaque textos da Sagrada Escritura e cole-os em lugares por onde for passar, na cabeceira da cama, no interior do carro, na porta da geladeira, nos cadernos e nos aparelhos de seu trabalho. Se, por vezes, enfeitamos nossos pertences com diversos dizeres, frases de efeito, figurinhas e personagens, por que não fixar também ali versículos da Palavra de Deus? Aproveite para os ler todas as vezes em que os visualizar. Será uma forma de oração.

Não se trata de separar textos bíblicos que mais nos agradam e vivê-los isoladamente, justificando nossas vontades. Queira fazer dessa prática um aprendizado de como amar mais e mais a Palavra de Deus para ser um Evangelho vivo, comungando-O na sua totalidade. Essas sugestões são uma maneira de memorizar trechos bíblicos e inspirar-se num lema para a vida e para o tempo presente.

Viver conforme a Palavra de Deus nos configura na Pessoa de Jesus, Verbo Eterno. De forma que permitimos que Sua voz tenha poder sobre todo o nosso ser. “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4, 12).

Dessa forma, as consequências das nossas ações, resultados ou o que elas desencadeiam, passarão a ter eficiência, ou melhor dizendo, providência tal como o coração de Deus quiser imprimir nas situações que consagramos à Sua Palavra.

Todas as realidades contidas na Pessoa da Palavra se farão favoráveis em nossa vida, mesmo quando não parecer ou quando não entendermos o “porquê” de um fato estar acontecendo contrariamente ao que trabalhamos. No final, testemunharemos que tudo concorrerá para um bem maior, pois o Altíssimo quer sempre o melhor para nós, como afirma o apóstolo Paulo na Bíblia “tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8, 28).

Começar tudo pela Palavra também é colocar Jesus em primeiro lugar. “Antes de qualquer tarefa, vem a palavra verdadeira” (Eclo 37, 20).

Sandro Arquejada - Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A alegria na Natividade de Maria

A Santíssima Virgem Maria nasce destinada a ser a Mãe de Deus, do Senhor Jesus Cristo, o Salvador da humanidade, e isso é causa de alegria para todos nós. Devemos nos alegrar primeiramente pela dignidade de Nossa Senhora ter sido escolhida para ser a Mãe do Verbo eterno de Deus, porque, em vista desta maternidade divina, Maria foi enriquecida de tamanha graça, que excede a de todos os anjos e santos juntos. Somos convidados a nos alegrar também por nós mesmos, pois, ao mesmo tempo em que a Virgem de Nazaré foi escolhida para ser Mãe do Redentor, foi também destinada a ser Medianeira de todo gênero humano e dispensadora de todas as graças e bênçãos dos Céus.


Nós nos alegremos também porque, em Maria, temos uma Mãe, que nos acompanha em nosso caminho espiritual.

Antes do nascimento da Virgem de Nazaré, o mundo jazia nas trevas do pecado e da morte; mas, com o nascimento de Maria despontou a aurora e uma grande luz já apareceu no horizonte da salvação da humanidade. Da Menina que nasce, diz o livro do Cântico dos Cânticos: “Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?”. De mesma forma que nos alegramos com o despontar da aurora, porque ela antecipa a luz do sol, nos alegramos com na celebração do nascimento de Maria, pois ela é a precursora do Sol da justiça, que é Jesus Cristo.

A Natividade de Nossa Senhora anunciou a alegria ao mundo inteiro, pois dela nasceu o Salvador dos homens, que nos deu a vida eterna. Com o nascimento de Maria nasceu o nosso remédio, a nossa consolação e a nossa salvação, pois, por intermédio dela, recebemos o Salvador Jesus Cristo.

A Santíssima Virgem foi escolhida para ser Mãe do Verbo Eterno, por isso, “Deus a enriqueceu de tamanha graça que, desde a sua Imaculada Conceição, a sua santidade excedia a de todos os santos e anjos juntos. Ela recebeu a graça de uma ordem superior, proporcionada à dignidade de Mãe de Deus”. Esta Virgem puríssima, desde a sua infância, soube de tal modo cativar o Coração de Deus que Ele nada lhe recusa. Isso se dá porque, “ao mesmo tempo que Maria foi destinada a ser Mãe de nosso Redentor, foi destinada também para ser Medianeira entre Deus e nós, pecadores”.

Nossa Senhora cuida, com amor de Mãe, de cada um de nós, os irmãos de seu Filho, que entre perigos e angústias, ainda caminham em peregrinação aqui na terra, até chegarem à sua pátria definitiva, no Reino dos Céus. Por sua solicitude materna com cada um dos seus filhos, “a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira”.

No nascimento da Virgem Maria cumpre-se verdadeiramente a eterna eleição divina sobre a humanidade. Na Natividade da pobre Menina de Nazaré verifica-se o amor particular com que o Senhor circundou as portas de Sião: “O Senhor ama a cidade que fundou nos montes santos; ele prefere as portas de Sião às tendas de Jacó”. O Senhor elegeu e descendência de Davi e o Povo de Israel, para que por meio desta descendência e deste povo se cumprisse o desígnio universal da salvação, pela vinda do Filho de Deus ao mundo, como Primogênito de muitos irmãos. “O nascimento de Cristo em Belém é o início do renascimento do homem por meio da graça sobrenatural. O nascimento de Maria é a preparação para este início da nova criação, no plano da salvação divina”.

Assim, a festa da Natividade de Nossa Senhora é um convite à alegria pela chegada da aurora da salvação e à recordação do dom gratuito que Deus concede a cada um de nós, como fez com a Virgem Maria. “A profunda consciência que Maria tem da gratuidade do dom de Deus torna-se para nós o estímulo para rever a nossa vida, demasiado confiante nos meios humanos, e pouco propensa à contemplação e à oração”. O nascimento da Virgem Imaculada é um convite ao renascimento espiritual e à conversão. Por fim, a Natividade de Maria é um convite para crescer na fé, tendo sempre como modelo e auxílio a Mãe de Deus, que foi Bem-aventurada porque acreditou nas promessas do Senhor.

Nossa Senhora da Natividade, rogai por nós!

Natalino Ueda - Canção Nova Formação / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

sábado, 6 de setembro de 2014

Juntos, em nome de Jesus

“Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a sós! Se ele te ouvir, terás ganho o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, de modo que toda questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à igreja. Se nem mesmo à igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Eu vos digo mais isto: se dois de vós estiverem de acordo, na terra, sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que está nos céus o concederá. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles.” Mt 18,15-20


A missão do profeta

O profeta Ezequiel é contemporâneo do profeta Jeremias. Ao contrário de Jeremias que, durante o exílio na Babilônia, ficou em Judá, Ezequiel foi para a Babilônia com os deportados. Sua missão tinha um duplo aspecto: ajudar o povo exilado a não se esquecer de que, ao contrário do que eles pensavam, Deus não os havia abandonado, mas estava com eles, e manter viva a esperança do retorno à terra dos seus antepassados. O texto autobiográfico que, hoje, lemos, apresenta Ezequiel como sentinela da casa de Israel (cf. Ez 33,1-7). Enquanto tal, ele deve alertar contra o inimigo que ameaça o povo. A missão do profeta é prevenir o povo contra tudo o que possa ameaçar a esperança e a fidelidade ao Deus de Israel. Ele compreende que sua missão, enquanto sentinela da casa de Israel, é também de despertar no povo o desejo de conversão.

O evangelho de hoje é parte do discurso sobre a Igreja, em que Jesus instrui os seus discípulos acerca dos aspectos essenciais da vida comunitária cristã. A comunidade cristã é uma comunidade de reconciliados, por isso, o perdão deve ser uma das marcas de sua existência. No trecho anterior ao apresentado pela liturgia deste domingo, duas características da comunidade eclesial foram ressaltadas: a comunidade cristã deve ser caracterizada pelo serviço e pelo cuidado de uns para com os outros, de modo especial pelos “pequeninos”, isto é, por aqueles que se sentem, por algum motivo, desprezados e não valorizados, e que correm, por isso, o risco de abandonar a comunidade. Nosso texto de hoje é, por assim dizer, a aplicação prática do desejo de Deus de que nenhum membro da comunidade se perca (v. 14). A atitude exigida para realizar o desejo de Deus é a iniciativa que cada um deve tomar no que diz respeito à reconciliação, tendo presente que a comunidade cristã é uma comunidade de irmãos (v. 15). O pecado divide a comunidade. Se acontecer a alguém ser vítima do pecado de outro membro da comunidade, trata-se, aqui, de tomar a iniciativa de ajudar o pecador no seu processo de conversão, desde que ele aceite livremente. É Deus quem toma a iniciativa de vir em socorro de nossa humanidade e é ele quem oferece, gratuitamente, o seu perdão. A comunidade cristã é chamada a ser reflexo da misericórdia divina (Mt 5,48; Lc 6,36; 15). Assim como Deus não desiste de nós, também não devemos desistir de nossos irmãos. O único limite para o perdão e a reconciliação é o fechamento do outro (v. 17). O amor fraterno e, consequentemente, a comunidade cristã são construídos através desse esforço permanente de reconciliação.

Carlos Alberto Contieri - Paulinas / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/