quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Começou o Advento!

O homem necessita de uma esperança que vá mais além da ciência e da política para ser feliz

Estamos na primeira semana do Advento. No mundo antigo indicava a visita do rei ou do imperador a uma província; na linguagem cristã significa a “vinda de Deus”, a sua presença no mundo; um mistério que envolve inteiramente o cosmo e a história, e que conhece dois momentos culminantes: a primeira e a segunda vinda de Jesus Cristo. A primeira é a própria Encarnação; a segunda é o retorno glorioso ao fim dos tempos.

O Papa Bento XVI, falando do Advento, disse que: “Estes dois momentos, que cronologicamente são distantes – e não se sabe o quanto -, tocam-se profundamente, porque com sua morte e ressurreição Jesus já realizou a transformação do homem e do cosmo que é a meta final da criação. Mas antes do final, é necessário que o Evangelho seja proclamado a todas as nações, disse Jesus no Evangelho de São Marcos (cf. Mc 13,10)”.

Já montamos o Presépio e acendemos a vela verde da Coroa do Advento; a guirlanda é verde porque é sinal de esperança e vida, enfeitada com uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus que nos envolve, e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.

A esperança é virtude teologal, dada por Deus. “É na esperança que fomos salvos”: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). É com essa esperança que podemos enfrentar o mundo materialista que combate contra o espírito, sem desanimar. São Pedro nos pede que estejamos “preparados para apresentar aos outros a razão da nossa esperança” (1 Pe 3,15). O homem necessita de uma esperança que vá mais além da ciência e da política para ser feliz. Não é suficiente o “reino do homem”, é necessário o “Reino de Deus”. Só algo de infinito pode-nos bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que possamos alcançar. Um mundo sem Deus é um mundo sem esperança (cf. Ef 2,12).

O Catecismo nos ensina que: “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.” (§ 1817)

As velas acesas do Advento simbolizam nossa fé, nossa alegria, nossa esperança que não decepciona. Todas serão acesas pelo Deus que vem. Jesus, a grande Luz, “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9); está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz. Ser cristão é ser “alter Christus”, um outro Cristo que se consome como uma vela para iluminar as trevas do mundo.

O primeiro domingo do Advento lembra-nos que o perdão foi oferecido a Adão e Eva, não fomos abandonados ao poder da morte. Eles morreram na terra, mas viverão em Deus. Jesus se fez filho de Adão, sem deixar de ser seu Deus, para salvá-lo.

No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Os vossos corações não fiquem sobrecarregados com dissipação e embriaguez e dos cuidados da vida… vigiai em cada momento orando” (Lc 21,34.36). Portanto, sobriedade e oração. São Paulo nos convida a “crescer e avantajar no amor” entre nós e com todos, para tornar nosso coração firme e irrepreensível na santidade (cf. 1 Ts 3,12-13).

Mais que o Presépio e a árvore de Natal, prepare o seu coração com a esperança que tudo supera. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). São Paulo disse aos Tessalonicenses: não deveis “entristecer-vos como os outros que não têm esperança” (1 Ts 4,13).

Prof. Felipe Aquino / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Por que chamamos a Virgem Maria de Nossa Senhora?

Rainha dos Anjos, Rainha dos Santos, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires…

O título de Senhor e Senhora, desde os primeiros séculos do Cristianismo, eram usados para os senhores de escravos, muito comum naquele tempo. Dentro desse contexto, a Virgem Maria disse ao anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor” (Lc 1, 38).


Mas “Jesus é o Senhor”, como disse São Paulo (Fl 2,11); é o Rei dos Reis; e Sua Mãe é Rainha por consequência. Por isso, a Igreja entendeu que deveria chama-lá de Senhora. Os súditos do Rei eram também servos da Rainha. Ora, se somos súditos de Jesus, o somos também de Maria. A Ladainha Lauretana chama a Virgem Maria de Rainha dos Anjos, Rainha dos Santos, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha da Virgens, Rainha dos Profetas. Ora, toda Rainha é Senhora em seu reino.

A Virgem Maria é aquela “cheia do Espírito Santo”, como a saudou sua prima Santa Isabel, que em alta voz disse: “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1,42). Ela é “a filha predileta de Deus”, diz o Concílio Vaticano II (LG n. 53), “aquela que, na Santa Igreja, ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (Lumen Gentium, n. 54).

São Bernardo, doutor da Igreja, o apaixonado cantor da Virgem Maria, no Sermão 47 diz: “Ave Maria, cheia de graça, porque é agradável a Deus, aos anjos e aos homens. Aos homens, por causa de sua fecundidade; aos anjos, por sua virgindade; a Deus por sua humildade. Ela mesma atesta que Deus olhou para ela porque viu sua humildade”.

São Tomas de Aquino afirmou: “A bem-aventurada Virgem Maria, pelo fato de ser Mãe de Deus, tem uma espécie de dignidade infinita por causa do bem infinito que é Deus”. Ela é Senhora!

“A graça que adornou a Santíssima Virgem sobrepujou não só a de cada um em particular, mas a de todos os santos reunidos”, afirma Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja. Por isso ela cantou no Magnificat: “Desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo…” (Lc 1,42). Ela é Senhora!

Maria é um “espelho especialíssimo de Deus”, diz São Tomás de Aquino: “Os outros santos são exemplos de virtudes particulares: um foi humilde, outro casto, outro misericordioso, e assim nos são oferecidos como exemplos de uma virtude. Mas a bem-aventurada Virgem é exemplo de todas as virtudes”, diz o santo.

São Bernardo e Santo Antônio, doutores da Igreja, afirmam que, “para ser eleita e destinada à dignidade de Mãe de Deus, devia a Santíssima Virgem possuir uma perfeição tão grande e consumada que nela excedesse todas as outras criaturas”. Ela é Nossa Senhora!

“Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Mt 23,12). Repetiu várias vezes o Senhor. Logo que Deus determinou fazer-se Homem para redimir o homem decaído e assim manifestar ao mundo Sua misericórdia infinita, certamente buscava entre todas as mulheres aquela que fosse a mais santa e humilde para ser Sua Mãe. Como diz o Livro dos Cânticos: “Há um sem número de virgens (a meu serviço), mas uma só é a minha pomba, a minha eleita” (Ct 6, 8-9).

Foi por sua imensa humildade que Deus tanto exaltou Maria e a fez Sua Mãe, Rainha e Senhora nossa. E a própria Virgem diz no seu canto: “porque olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,48).

Foi essa “humildade” profunda e real que tanto encantou o coração de Deus, fez com que a elegesse a “bendita entre as mulheres”, Sua Mãe, nossa Mãe e Senhora.

Prof. Felipe Aquino - Canção Nova Formação / Foto: Bruno Araújo / Pastoral da Comunicação da Paróquia de Sant'Ana - http://matrizdesantana.blogspot.com.br/